Frações Financeiras 56 – Um bate-papo sobre duration

Descrevo aqui um papo com um aluno sobre duration, para revermos o conceito.

alta de preçosAluno: César, uma dúvida: se a minha expectativa é de alta na taxa de juros, o melhor a fazer é comprar títulos posfixados com vencimento de longo prazo, pois a duration deles é maior. Isso significa que eles são mais sensíveis a variações nas taxas de juros do que os títulos posfixados com vencimento de curto prazo. É isso?

César: Se eu acho que a taxa de juros vai subir, é melhor tomar dinheiro emprestado. Tomo barato, espero um pouco e aplico com taxa mais alta.

Isso vale para um aumento na taxa nominal, que é a taxa composta de inflação mais juro real. Como os 12,25% da taxa Selic atual. Está certo até aqui?

Aluno: Sim. Está claro.

César: Uma LTN negocia hoje (10/02/15) a 12,83% para vencimento em janeiro de 2017. Dentro dessa taxa tem a expectativa de inflação pelos dois anos, mais um juro real. Vamos dizer 7% de inflação ao ano e mais ou menos 5,8 de juro real.

Se estou achando que a taxa vai subir não devo comprar nem essa LTN de 2017, nem a de 2018 que tem duration maior. A mais longa tem duration maior, portanto perderá mais valor caso a taxa de juros suba. Por enquanto só falei de titulo pré-fixado, está certo?

Aluno: Está certo. Se a taxa de juros subir, você vai estar “deixando de ganhar” com uma alta na taxa de juros, e se precisar vender o titulo antecipadamente ele será negociado com deságio. É isso?

César: Exatamente. E, na subida dos juros, quem sofre mais é o título de maior duration

Se fosse uma queda na taxa de juros valeria mais a pena eu comprar uma LTN com vencimento para 2018 do que uma LTN com vencimento em 2017?

Aluno:  A de duration maior vai subir mais na queda da taxa

César: Isso mesmo. Agora, isso tudo vale para os prefixados.

Vamos falar sobre os pós-fixados. Hoje tem uma NTNB 2019 sendo negociada a IPCA mais 5,9%.

Se a taxa nominal subir somente por uma expectativa de aumento da inflação é de se esperar que o 5,9% não mude, está certo?

Mas, em geral, quando a taxa nominal sobe (aqueles 12,25%) a taxa real sobe um pouquinho também. Não precisa ser verdade sempre. Pode subir só por inflação e a taxa real se manter. Se acontecer isso a NTNB não muda de preço

Se subir tudo, a expectativa de inflação e o juro real, a NTNB perde valor, e perde mais valor aquela de maior duration

Aluno: Certo, o que varia é a remuneração do IPCA não é? A NTNB rende IPCA (variável) + 5,9% (fixo).

César: Isso.

Aluno: Entendi! Mas se fosse por exemplo uma LFT, que é posfixada, e tivesse uma alta nos juros, a LFT acompanharia a alta, e renderia mais a de maior duration?

César: Espere um pouquinho. Eu ainda não falei nada sobre LFT!

Entendeu o que acontece com o pré e pós indexado ao IPCA?

Agora vamos voltar à sua pergunta inicial.

Se a expectativa é de subida nos juros, o melhor é ou tomar dinheiro para aplicar depois que a taxa subir ou segurar o recurso num prazo curtinho e depois que subir aplicar em um prefixado ou indexado ao IPCA.

Aluno: Entendi sim o pré e pós fixado!

César: Vamos falar da LFT que é um título posfixado diferente da NTNB. A LFT rende a taxa Selic do dia a dia, se a taxa sobe ela rende mais no mesmo dia que a taxa subiu. E se caiu rende menos no mesmo dia. O preço da LFT não varia com a taxa de juros porque a remuneração dela se ajusta imediatamente à nova taxa. Então, qual é a duration de uma LFT?

Aluno: Zero

César: Pois é!

Aluno: Entendi! Uma LFT tem duration zero porque ela não é sensível a variações nas taxas de juros, né ?

César: Exatamente

Vamos resumir: com uma expectativa de alta melhor não comprar nem prefixado, nem posfixado (indexado ao IPCA ou outro índice).

É pior se comprar com duration maior, no caso de alta de juros.

César: Vamos terminar com a definição de duration: A medida chamada duration de um título ou de uma carteira serve para medir a sensibilidade do preço do título às variações nas taxas de juros. Um título de maior duration terá seu preço mais alterado, por um aumento ou queda nas taxas de juros, do que um título de menor duration.

Outra forma de encarar a duration é que seu valor representa o percentual de variação no preço do título para cada ponto percentual de variação na taxa de juros. Por exemplo, um título com duration – 2,5 perderá 2,5% de seu valor para cada 1% de aumento na taxa de juros.

Posted in Frações Financeiras | Leave a comment

Por que o IPCA de janeiro foi 1,24%?

1 O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA do mês de janeiro apresentou variação de 1,24% e ficou acima da taxa de 0,78% de dezembro em 0,46 ponto percentual.

2 É a taxa mais elevada desde fevereiro de 2003. Naquele mês o IPCA foi 1,57%.

3 Nos últimos doze meses, a taxa foi para 7,14%.

4 Em janeiro de 2014 a taxa havia ficado em 0,55%.

5 Os grupo que mais subiram foram:

- Alimentação e Bebidas (1,48%),

- Habitação (2,42%) e

- Transportes (1,83%).

Esses três somam 1,06 ponto percentual, foram responsáveis por 85% do índice do mês.

6 Veja a tabela com as altas nos alimentos:

ipca jan 15 1

7 No grupo Habitação (2,42%), grupo de maior resultado, o destaque ficou com a

energia elétrica, cuja alta de 8,27% gerou impacto de 0,24 pp, o mais elevado no mês.

8 O item habitação ainda teve os seguintes aumentos: Taxa de água e esgoto 1,42%, Aluguel residencial 1,22%, Mão de obra pequenos reparos 0,95% e Condomínio 0,81%.

9 Na taxa de água e esgoto (1,42%), houve aumento somente em Campo Grande (11,19%), onde o reajuste de 12,26% ocorreu a partir do dia 03 de janeiro, e São Paulo (5,83%), com reajuste de 6,47% desde 27 de dezembro.

10 No grupo Transportes (1,83%), destaca-se a elevação nos gastos com transporte público:

- Ônibus urbano 8,02%

- Ônibus intermunicipal 6,59%

- Ônibus interestadual 1,21%

- Metrô 9,23%

- Táxi 2,63%

- Trem 8,95%

Posted in Frações Financeiras | Leave a comment

Brasil é o quinto maior destino de Investimento Estrangeiro Direto em 2014

1 Fluxo Global de Investimento Estrangeiro Direto (IED) cai 8% em 2014[1]

Em 2014 o fluxo de Investimento Estrangeiro Direto (IED) global declinou 8%,em relação a 2013. O valor global é estimado em US$ 1,26 trilhão. Esse declínio se deve à fragilidade da economia global, à incerteza política e a riscos geopolíticos.

IED 2104 2

2 Desinvestimento norte-americano

O grande desinvestimento nos EUA é responsável, também, pela diminuição nos fluxos de IED.

3 IED para desenvolvidos cai 14%

O fluxo de IED para os países desenvolvidos caiu 14% para o valor estimado de US$ 511 bilhões, afetado significativamente, pelo desinvestimento norte-americano.

4 IED para Europa ainda é 1/3 do pico

O fluxo para a Europa cresceu 13% comparativamente a 2013, para US$ 267 bilhões. Esse valor, no entanto, ainda é somente um terço do pico de 2007.

5 IED cresceu 4% para países em desenvolvimento

As economias em desenvolvimento viram seu IED alcançar um novo pico de mais de US$ 700 bilhões, 4% mais que 2013, o que representa 56% do fluxo global de IED.

6 A China tornou-se maior destino de IED

Em 2104, a China, com crescimento modesto de 3%, tornou-se o maior destino mundial de IED. Os EUA caíram para o terceiro posto. Entre os cinco maiores destinos de IED, ha quarto países em desenvolvimento.

IED 2014

7 As fusões e aquisições entre fronteiras cresceram

As fusões e aquisições, entre empresas de países diferentes, cresceram 19% principalmente por reestruturações.

8 Fatores negativos para o futuro

Ainda estamos distantes de um fluxo de IED mais robust. A perspective de uma economia global fraca, a volatilidade nos mercados de moedas e commodities, além de riscos geopolíticos elevados vão influenciar negativamente os fluxos de IED.

9 Fatores positivos para o futuro

Por outro lado, o fortalecimento do crescimento econômico dos EUA, o aumento da demanda por conta dos preços mais baixos do petróleo e a política monetária proativa na zona do Euro, acrescidos de medidas de liberalização e promoção, afetarão favoravelmente os fluxos de IED

10 Brasil é o quinto maior destino de IED

No Brasil, apesar do crescimento significativo de fusões e aquisições (45% de aumento para US$ 14 bilhões), os fluxos de IED caíram 4%. O valor de 2014 ficou em US$ 62 bilhões de entradas de IED, afetados por quedas no setor primário e aumentos nos manufaturados e nos serviços.

 

 

 

 



[1] Veja o relatório completo da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD) em: http://unctad.org/en/PublicationsLibrary/webdiaeia2015d1_en.pdf

Posted in Frações Financeiras | Leave a comment

O Banco Central divulgou os dados da Política Fiscal em 2014

Resultado Fiscal em 2014

No ano de 2014, o resultado primário, resultado que não inclui o pagamento de juros, foi deficitário em 0,63% do PIB ou R$32,5 bilhões.

Em 2013, tivemos superavit de R$91,3 bilhões (1,88% do PIB) em 2013.

Gastos com Juros em 2014

No ano, o governo gastou 6,07% do PIB ou R$311,4 bilhões em juros.

Foram  R$248,9 bilhões (5,14% do PIB) em 2013.

A subida da taxa Selic, a alta do IPCA e o resultado das operações de swap cambial influíram para o aumento do gasto com juros.

Deficit Nominal ano

No ano, o deficit nominal alcançou R$343,9 bilhões (6,70% do PIB), comparativamente a R$157,6 bilhões (3,25% do PIB) em 2013.

Títulos emitidos

Destacaram-se as emissões líquidas de R$36,3 bilhões em LTN, de R$11,8 bilhões em NTN-B, de R$7,5 bilhões em NTN-F e de R$6,7 bilhões em LFT.

Vencimentos da Dívida Mobiliária

Em dezembro a estrutura de vencimento da dívida mobiliária em mercado era a seguinte: R$469,4 bilhões, 21,5% do total, com vencimento em 2015; R$329 bilhões, 15,1% do total, com vencimento em 2016; e R$1.385,3 bilhões, 63,4% do total, vencendo a partir de janeiro de 2017.

 Exposição a Swap

A exposição total líquida nas operações de swap cambial alcançou R$285 bilhões em dezembro. Como a taxa de câmbio subiu de R$ 2,56, no final de novembro, para R$ 2, 66, no final de dezembro, o resultado das operações de swap, no mês, foi desfavorável ao Banco Central em R$17 bilhões.

Dívida líquida do setor público

A dívida líquida do setor público fechou o ano em 36,7% do PIB, ou seja R$1.883,1 bilhões. Elevando-se 0,5% do PIB em relação ao mês anterior e 3,1% em relação a 2013.

Contribuíram para a Dívida Líquida sobre o PIB subir

No ano, os juros nominais, o deficit primário e o ajuste de paridade da dívida externa líquida contribuíram para elevar a relação Dívida Líquida sobre o PIB em 6,1 p.p., 0,6 p.p. e 0,2 p.p. do PIB, respectivamente.

Contribuíram para a Dívida Líquida sobre o PIB cair

Em sentido contrário, o crescimento do PIB nominal, a desvalorização cambial de 13,4% acumulada no ano e o reconhecimento de ativos contribuíram para reduzir a relação em 1,9 p.p., 1,9 p.p. e 0,1 p.p. do PIB, respectivamente.

Dívida Bruta do Governo Federal

A Dívida Bruta do Governo Geral (Governo Federal, INSS, governos estaduais e governos municipais) alcançou R$3.252,4 bilhões em dezembro, 63,4% do PIB, elevando-se 0,4 p.p. do PIB em relação ao mês anterior e 6,6 p.p. em relação a 2013.

Posted in Frações Financeiras | Leave a comment