Frações Financeiras 7 – Vamos nos render ao fascínio das ações?

Investimentos que gozavam de liquidez, alta rentabilidade e baixo risco, todos ao mesmo tempo, eram uma anomalia da economia brasileira que, parece, já faz parte do passado.  A queda dos juros nos impõe considerar investimentos em ações: uma opção com liquidez, com possibilidade de alto retorno, mas com alto risco.

O que são ações?

Ação é uma pequena fração do capital de uma empresa. As empresas de capital aberto vendem essas frações ao público para captar recursos, geralmente, para aumentar seus investimentos. Comprar ações é o mesmo que tornar-se sócio da empresa. Se a empresa vai bem, as ações também devem ir bem e se valorizarem.

Quais são os tipos de ação?

As ações ordinárias são aquelas que dão ao seu detentor o direito de votar nos processos decisórios da empresa. A pessoa ou o grupo que detém mais de 50% das ações ordinárias é o controlador da empresa. As ações preferenciais não dão direito a voto, mas têm privilégio no recebimento de dividendos ou na reposição do capital no caso de liquidação da empresa.

O que influi na cotação das ações no mercado?

As expectativas sobre o futuro da empresa e da economia são as maiores influências sobre o preço no qual as ações são compradas e vendidas no dia a dia. Se acreditamos no crescimento econômico do país e no crescimento da empresa, acreditamos que a cotação de suas ações vai subir mais do que os outros investimentos.

Quais são os riscos?

Se a empresa falir, perderemos todo o investimento feito em suas ações. Afinal, somos sócios de uma empresa que quebrou. É esse o motivo de repetirmos tantas vezes que a Bolsa de Valores não é o lugar para dinheiro que não podemos perder. Os recursos poupados para emergências ou para comprar bens, nos próximos anos, devem ficar bem distantes das ações. Além do risco de falência, há o risco de um pessimismo, quanto ao futuro da economia do país ou do mundo, generalizar-se. Nesse caso nossos investimentos em ações sofrerão por anos a fio. Existem chances de se recuperar, mas somente no longo prazo.

Por que correr esses riscos?

Porque se pode ganhar mais do que em outros investimentos financeiros. Quando montamos, aos poucos, uma carteira voltada para prazos superiores a 5 anos aumentamos muito a probabilidade de retornos altos.

Quanto do meu dinheiro devo aplicar em ações?

Precisamos responder essa pergunta com outra pergunta: quanto do seu patrimônio você suportaria perder de um dia para outro? Veja que, se você tiver todo seu patrimônio em ações e a bolsa cair 10%, você perderá 10%. No entanto se tiver 10% do seu patrimônio, perderá 1%, com a mesma queda. Qual é o nível que não te faria precipitar-se e vender na hora errada? Esse é seu limite de tolerância a risco e só você pode determiná-lo. Não se aconselha ultrapassar esse limite para conseguir segurar a carteira nos soluços que o mercado dará. Os prêmios pelo carregamento de ações estão no longo prazo.

Diversificar reduz o risco?

Se o investimento for feito em setores que não guardam grande correlação entre si, como uma empresa de extração de minérios e um banco, certamente diminui-se muito o risco pela diversificação. O que está sendo reduzido, nessa circunstância, é o risco das empresas. Se um evento ruim acorrer para a economia nacional ou global, a carteira sofrerá o impacto, mesmo com uma diversificação ótima.

Monto uma carteira ou invisto em um fundo?

As opiniões sobre esse tema são bem divergentes. Particularmente, acho caro investir em fundos de ações. Se for fazê-lo escolha a dedo o gestor, não aceite taxas de administração altas e não aplique em um fundo de um banco simplesmente porque tem conta nele. Se for montar uma carteira, abra uma conta em uma corretora, leia tudo o que pode sobre as empresas e comece vagarosamente a montar sua carteira. Uma das piores coisas que podem nos acontecer é entrar num pico: um ponto depois do qual a bolsa só cai e demora uma eternidade para ser alcançado de novo. Se for montar uma carteira de R$ 50 mil, compre R$ 2 mil por mês.

Como escolho o que comprar?

Uma das razões para ir comprando aos poucos é ir aprendendo o funcionamento do mercado, ir sentindo sua tolerância a risco e ir aprendendo sobre as opções de empresas que você tem. Veja a lista de empresas com ações negociadas em bolsa, selecione aquelas com as quais simpatiza e peça, então, aos corretores relatórios sobre elas. Busque notícias nos jornais e revista. Se após a análise sua simpatia continuar, compre um pouquinho e acompanhe. A melhor forma de aprender é ter seu próprio recurso em jogo para ter muita curiosidade e ler tudo o que aparece para tomar melhores decisões.

Como se ganha com ações?

Existem dois modos de obter lucro com as ações vender por preço mais alto do que comprou ou receber as distribuições de lucros da empresa sob a forma de dividendos ou lucros sobre o capital próprio.

E o imposto de renda?

Os dividendos são isentos. Os ganhos com a venda, chamados de ganhos de capital, são tributados em 15% do ganho, do mesmo modo que os juros sobre o capital próprio recebidos. Importante notar que quando se vende R$ 20 mil ou menos em um dado mês, não há incidência de imposto de renda. Imagine que fazendo uma carteira para a aposentadoria, poderemos ir vendendo, quando a hora chegar, sem imposto de renda se os valore mensais forem inferiores a R$ 20 mil.

 Recomendo ler Frações Financeiras 58 – Como saber se uma ação está cara? e Frações Financeiras 59 – O que são ETFs? O que é Bova11? no blog em www.f2br.com/cesarlocatelli/.

About cesarlocatelli

Sócio Diretor da F2 Formação Financeira. Mestre em Economia e Professor de Finanças, Derivativos e Planejamento Financeiroa
This entry was posted in Frações Financeiras. Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>