Frações Financeiras 9 – Perde-se dinheiro com renda fixa?

Vamos relembrar o que é um título de renda fixa e seus riscos.

O que é um título público? E um título privado?

Quando compramos um título público estamos, na verdade, emprestando dinheiro ao governo, que promete nos pagar de volta com juros após certo tempo. Da mesma forma, ao comprar um CDB – Certificado de Depósito Bancário – estamos emprestando para um banco e comprando uma debênture estamos emprestando para uma empresa.

O que é um título de renda fixa pré-fixado?

Os títulos de renda fixa são chamados de pré-fixados, quando desde o início já se sabe quanto o aplicador vai receber no final. Por exemplo, uma LTN – Letra do Tesouro Nacional –  é um título de renda fixa pré-fixado, emitido pelo Tesouro Nacional. Como se sabe desde o início que a LTN vai valer R$ 1.000 na data do resgate, a LTN é chamada de pré-fixada. Os CDBs também podem ser pré-fixados.

O que é um título de renda fixa pós-fixado?

São chamados pós-fixados aqueles títulos de renda fixa que só saberemos o rendimento no vencimento do título, ou seja, na hora que o devedor for nos pagar de volta. Um exemplo é a NTN-B – Nota do Tesouro Nacional série B – que nos paga a inflação, medida pelo IPCA, mais uma taxa de juros. A inflação de todos os meses, até o vencimento da NTN-B, só vai ser conhecida no final do período, por isso chamamos o título de pós-fixado. Se o IPCA for mais alto, o resgate será mais alto e vice-versa.

Por que se chama renda fixa?

Como o rendimento do título, os juros, não depende do desempenho da empresa que o emitiu, chamamos de título de renda fixa. Por exemplo, o rendimento do CDB, que é um título emitido por bancos,   independe do lucro ou prejuízo do banco, portanto, o CDB é um título de renda fixa.

E o que é renda variável?

Os principais títulos de renda variável são as ações, porque seu rendimento depende do resultado que a empresa emissora mostra em seus balanços. Se a empresa for bem o preço da ação e seus dividendos devem ir bem, se a empresa for mal a ação irá mal.

Quais são os riscos nas aplicações de renda fixa?

As aplicações em renda fixa têm, essencialmente, dois riscos: crédito e mercado. Ambos podem, sim, representar prejuízos.

Por que estamos sujeitos a risco de crédito em um papel de renda fixa?

Basicamente, porque estamos emprestando dinheiro para o emissor do título e, se ele tiver problemas de saúde financeira, pode deixar de nos pagar no vencimento da aplicação. Um exemplo, relativamente recente, é a falência do Banco Santos: todos os investidores que aplicavam em CDBs do banco tiveram prejuízos. Apenas valores até R$ 70 mil são protegidos pelo Fundo Garantidor de Crédito – FGC no caso do banco quebrar. Outro exemplo de prejuízos por conta de risco de crédito se deu nos títulos da dívida externa argentina: o país, sem dólares para honrar todos os títulos que emitiu, deu um calote no mercado, causando altos prejuízos em todos aqueles que compraram seus títulos de renda fixa. Da mesma forma, a Grécia obrigou seus credores a aceitarem novos termos nos seus títulos provocando prejuízos em quem tinha seus títulos.

O que é risco de mercado?

Risco de mercado é a possibilidade de um resultado ruim para quem comprou o título, causado por algum movimento de mercado. Esse movimento pode ser na taxa de juros, na cotação de uma moeda ou de uma ação. Se uma subida na taxa de juros de mercado provoca perdas no valor do título, dizemos que ele está sujeito a risco de mercado.

Como calculamos o preço de um título de renda fixa pré-fixado?

Vamos tomar o exemplo da LTN. Já sabemos que a LTN  vai valer R$ 1.000 na data do resgate. Suponha que o mercado está negociando as LTNs a 10% de juros. Quanto devemos pagar por uma LTN que vence exatamente daqui a um ano?  A resposta é R$ 909,09, porque quando somarmos 10% (R$ 90,90) chegamos a R$ 1.000, que é exatamente o quanto a LTN vai valer daqui a um ano. Em outras palavras, aplicando R$ 909,09 para resgatar R$ 1.000 daqui a um ano, receberemos 10% de juros que é a taxa do mercado nesse momento. Se alguém te oferecer uma LTN para receber só 5% de juros você não vai aceitar, pois o mercado está em 10%, está certo?

E como perdemos dinheiro se os juros se movimentarem?

Digamos que você comprou a LTN quando o mercado estava exigindo 10 % ao ano e dali a pouco, por algum motivo, o mercado passe a exigir 15% para aplicações de um ano. Quanto valerá a LTN se você precisar vender? A resposta é R$ 869,57 porque se acrescentarmos os 15% a esse valor, chegaremos aos R$ 1.000, que é o valor de resgate da LTN. Então, se você tiver que vender o título só encontrará quem o compre para receber 15%, e você perderá a diferença entre o que pagou (R$ 909,09) e quanto receberá na venda (R$ 869,57). Se, no entanto, mantiver o título até o resgate, você receberá os mesmos R$ 1.000. Só terá perdido a oportunidade de fazer uma aplicação melhor quando o juro subiu de 10% para 15%.

Há outros casos nos quais temos risco de mercado?

Sim. Imaginemos que a inflação do período foi de 20% e a LTN rendeu 10%. O que ocorreu? O valor que o investidor recebeu de resgate tem um poder de compra menor do que o montante que ele aplicou. Diz-se que a aplicação perdeu da inflação: o aplicador recebe mais do que aplicou, mas o que ele recebe compra menos do que comprava o valor que ele aplicou lá no início da operação.

Onde ler mais sobre renda fixa?

Recomendo Frações Financeiras 4 – Você sabe investir em Títulos Públicos via Tesouro Direto? em www.f2br.com/cesarlocatelli e o sítio do Tesouro Direto em http://tesouro.fazenda.gov.br/tesouro_direto


 

About cesarlocatelli

Sócio Diretor da F2 Formação Financeira. Mestre em Economia e Professor de Finanças, Derivativos e Planejamento Financeiroa
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