Frações Financeiras 17 – Minha entrevista à Rádio Jovem Pan

Por retratar bem o momento dos aplicadores do mercado financeiro, achei interessante reproduzir, mesmo aproximadamente, minha entrevista dia 31/11/21012 com Denise Campos de Toledo jornalista de economia e finanças da Rádio Jovem Pan.

Denise Campos de Toledo: “Muitas aplicações financeiras vão, possivelmente, perder da inflação em outubro de 2012. Como você vê esse cenário?”

Minha opinião é que estamos num momento de transição.

Por um lado é ótimo que o Brasil tenha uma taxa de juros de curto prazo muito próxima da inflação. Os investimentos reais em fábricas, em imóveis, em infraestrutura e muitos outros setores são extremamente favorecidos. Isso é muito positivo para a economia como um todo.

Por outro lado as aplicações financeiras estão muito próximas às taxas de inflação. Estávamos acostumados com 1% de rentabilidade ao mês e essa rentabilidade não existe mais. E se tudo der certo, essa realidade não vai mais voltar.

Tratava-se de uma anomalia da economia brasileira proporcionar alta rentabilidade (um juro muito acima da inflação), segurança (pois era o próprio governo que remunerava a taxas tão altas) e liquidez (já que muitas operações podiam ser resgatadas a qualquer momento).

Para sair desse quadro as pessoas vão precisar assumir mais risco. Não é mais suficiente emprestar dinheiro de curto prazo para o governo. Para ter rendimentos acima da inflação é preciso ou alongar o prazo ou buscar maior risco de crédito ou enfrentar maior volatilidade com nas operações em bolsa.

Denise Campos de Toledo: “Os gestores de fundos de investimentos já estão migrando para papeis de maior risco buscando maior rentabilidade.”

Os profissionais do mercado financeiro estão saindo na frente, estão puxando a fila, em direção a investimentos que, para aumentar a rentabilidade, assumem um prazo mais longo ou um risco de crédito maior. E esse movimento deve ser acompanhado pelo investidor individual que está sentindo a queda da rentabilidade de suas aplicações financeiras, mas ainda está tomado pela inércia e não migrou para ativos de maior risco.

O risco geral do mercado financeiro vai subir, no entanto o lado positivo disso é que o custo para empreendimentos reais vai cair, o que tende a ser saudável para a economia como um todo.

Denise Campos de Toledo: “Os investidores são conservadores e estão buscando, por exemplo, as NTNBs que rendem IPCA.”

As NTNBs são uma boa aplicação para quem quer ser proteger da inflação. Entretanto, já foi o tempo que esses títulos rendiam IPCA mais 14 % ou 11 % de juros ao ano. E temos que alongar o prazo. Esses papéis rendem hoje entre 2,5% e 3,5% ao ano acima do IPCA e devemos levar em conta que pagam imposto de renda sobre esses rendimentos. Assim o rendimento está bem mais baixo do que já foi, mas é uma boa proteção contra a corrosão inflacionária.

Faltou dizer que …

A migração tem que ser feita bem aos poucos para dar tempo de estudar bem os produtos e, sobretudo, o risco das aplicações para as quais se vai migrar. Na dúvida permaneça empatando ou perdendo um pouquinho da inflação até ter confiança de que está escolhendo o produto adequado aos seus objetivos.

 



[1] César Locatelli é economista e mestre em economia, sócio diretor da F2 Formação Financeira e membro da comissão de educação do Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros.

 

 

About cesarlocatelli

Sócio Diretor da F2 Formação Financeira. Mestre em Economia e Professor de Finanças, Derivativos e Planejamento Financeiroa
This entry was posted in Frações Financeiras. Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>