Minha entrevista à Maria Paula Autran da Folha de São Paulo de 21/01/2013

Frase
“Se for para emergências, não compensa mexer.
Se é um recurso de longo prazo, eu pensaria em realocar a carteira”
CESAR LOCATELLI
planejador financeiro
Investimento no CDI passa a render menos
Taxa de juros de empréstimos entre bancos se descola da Selic e prejudica retorno de CDBs e fundos DI
Para investimento de R$ 100 mil em um ano, diferença chega a R$ 190 em comparação com aplicação na Selic
MARIA PAULA AUTRAN MARIANA CARNEIRO DE SÃO PAULO
Investidores com aplicações atreladas ao CDI (taxa de juros dos empréstimos entre bancos), como CDBs (Certificados de Depósitos Bancários), têm visto seus ganhos encolher.
As aplicações indexadas ao CDI -a exemplo também dos fundos DI- costumavam dar retornos bem próximos aos de investimentos indexados ao juro básico (taxa Selic).
Desde dezembro, porém, o CDI tem ficado mais abaixo que o de costume da Selic, meta definida pelo Banco Central e hoje em 7,25% ao ano.
Na sexta-feira, enquanto a taxa Selic negociada no mercado -que não é a mesma da meta, mas fica próxima a ela- estava em 7,11%, a taxa média do CDI ficou em 6,92%, diferença de 0,19 ponto percentual. A distância é mais que o dobro da observada em janeiro de 2012 (0,07).
IMPACTO
Isso faz diferença no ganho obtido. Por exemplo, uma pessoa que aplicou R$ 100 mil em um investimento atrelado à Selic, considerando uma taxa de 7,11% todos os dias, terá rendimento de R$ 7.110 em um ano.
Já outra que investiu em aplicação que paga 100% do CDI, considerando a taxa de 6,92% durante todo o ano, ganhará R$ 6.920 -R$ 190 a menos, diz Cesar Locatelli, planejador financeiro.
Para quem já tem dinheiro aplicado no CDI, os analistas recomendam calcular o rendimento já descontados a inflação e o Imposto de Renda.
Isso porque, muitas vezes, uma pequena perda anual não compensa uma alíquota alta de IR que será cobrada se o investidor resgatar os recursos para mudar de aplicação, sobretudo se o investimento tiver pouco tempo.
“Em outra aplicação, o cálculo do IR começa a ser contado do zero”, diz Fabio Colombo, administrador de investimentos.
OBJETIVO
Especialistas afirmam ainda que é preciso avaliar o objetivo do investimento.
“Se for para emergências, não compensa mexer. Se é um recurso de longo prazo, eu pensaria em realocar a carteira olhando para outras operações que podem envolver até um pouco mais de risco, como em Bolsa, por exemplo”, afirma o planejador financeiro Locatelli.
Os analistas dizem que uma opção para fugir do descolamento do CDI, se ele permanecer, são os investimentos atrelados à inflação ou à Selic, como os títulos do Tesouro Direto (NTN-Bs, corrigidas pela inflação mais juros, NTN-F e LTN, prefixadas, e LFT, indexada à Selic).
“Hoje, a LFT sai com vantagem na hora de comparar, mas a gente não sabe se essa vantagem vai permanecer. “Talvez seja só uma anomalia passageira”, diz Colombo.
Alexandre Chaia, professor do Insper, acredita que os títulos atrelados à Selic sejam uma boa opção. Afirma, porém, que os atrelados à inflação são arriscados por serem longos e porque o ganho tem a ver com o comportamento do juro real, que não deve cair mais, deixando pouco espaço para eles se valorizarem.

About cesarlocatelli

Sócio Diretor da F2 Formação Financeira. Mestre em Economia e Professor de Finanças, Derivativos e Planejamento Financeiroa
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