Frações Financeiras 28 – Correlação e Diversificação

 estatisticaA estatística nos ensina que existe correlação entre duas ou mais variáveis quando as alterações sofridas por uma delas são acompanhadas por modificações nas outras.

Assim, tentamos avaliar nos comportamentos de duas variáveis x e y, se os aumentos (ou diminuições) em x correspondem a aumentos (ou diminuições) em y.

O coeficiente de correlação é uma medida da relação linear entre duas séries de dados. O coeficiente de correlação varia entre -1 e +1.

correlação

É comum usarmos a diversificação na montagem das carteiras para diminuir seu o risco total. “A diversificação de carteiras tem, como fundamento central, a hipótese de que alguns ativos têm baixa correlação com outros. Subestimar a correlação implica superestimar a verdadeira diversificação da carteira.” Esse é o alerta em Be careful with correlation, de Jerry A. Miccolis e Marina Goodman no Journal of  Financial Planning de Março de 2012 (www.fpanet.org).

Imagine que sua carteira é composta por duas ações com baixa correlação. A diversificação conquistada com a compra da segunda ação vem do fato de que a primeira ação cair de preço não indica que a segunda também cairá. Se depois de algum tempo você descobrir que a correlação não é tão baixa como havia pensado, você constatará que sua diversificação era pior do que imaginava.

“Esse fato é especialmente perigoso em turbulências em que o contágio entra em cena e os analistas veem com surpresa que os ativos se movem juntos – e na direção errada”, afirmam Miccolis e Goodman. A correlação não deve ser vista, portanto,  como um simples número que permanece inalterado ao longo do tempo. Ao medir a correlação entre dois ativos por diversos períodos móveis pode-se melhorar a informação sobre a diversificação pretendida.

Ademais é preciso lembrar-se da máxima de mercado que diz que na crise a única coisa que sobe é a correlação. As correlações variam com o tempo e também variam com o ambiente do mercado. O que pode ajudar aqui é estudar as correlações para diferentes volatilidades de mercado. Por exemplo, definir períodos de volatilidade baixa, média e alta e calcular como se comporta a correlação nesses ambientes isolados.

É improvável que se aumente o conhecimento da carteira e da diversificação quando a medida de correlação utilizada é estática e não influenciada pelas condições do mercado, afirmam Miccolis e Goodman

Cuidado: A correlação é uma medida de relação linear entre dois ativos que habitam um mundo atordoado por relações não lineares.



[1] César Locatelli é economista e mestre em economia. É sócio diretor da F2 Formação Financeira, certificado CFP® e membro da comissão de educação do Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros.

About cesarlocatelli

Sócio Diretor da F2 Formação Financeira. Mestre em Economia e Professor de Finanças, Derivativos e Planejamento Financeiroa
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