Frações Financeiras 29 – Como saber se uma ação está cara?

O mercado de ações usa alguns indicadores e múltiplos para tentar avaliar se uma dada ação está cara ou barata, geralmente em relação às outras ações.

Preço/Lucro

top investmentO múltiplo mais usado o Preço/Lucro ou simplesmente P/L. Trata-se do preço da ação no mercado dividido pelo seu lucro anual. Pode-se usar o lucro por ação do exercício passado ou o lucro projetado para o ano corrente ou seguinte.  Um exemplo desse múltiplo, utilizando a projeção de lucros para 2012 para os maiores bancos brasileiros, foi divulgado no jornal Valor Econômico. O artigo atribuía 9,9 para o Bradesco, 8,7 para o Itaú e 5,8 para o Banco do Brasil. Se as projeções se confirmarem, a indicação que extraímos desses valores é que a ação do Bradesco é a mais “cara”, pois precisamos do lucro de quase 10 anos para pagar o valor de uma ação. A mais “barata” seria a ação do Banco do Brasil que pagaria o valor da ação com o lucro de pouco menos do que 6 anos.

As desvantagens desse indicador são que a obtenção do lucro por ação não é uma tarefa muito simples e pode conter distorções pela forma de cálculo do lucro. Além disso, o lucro é volátil e, quando a empresa dá prejuízo, o indicador perde o significado. Uma das formas de diminuir essas desvantagens é calcular também um P/L usando uma média de resultados dos últimos exercícios para diminuir a volatilidade dos recursos e ver se a empresa está dando resultados de modo consistente.

Preço/Valor Patrimonial por Ação

Outro múltiplo bastante frequente é o preço da ação dividido pelo valor patrimonial por ação (price to book value). O valor patrimonial ou contábil reflete o investimento feito pelos acionistas contabilizado nos livros da empresa. No mesmo artigo do jornal Valor Econômico foram apresentados P/VPA dos bancos: Bradesco ficou com 2,0, Itaú com 1,9 e banco do Brasil com 1,2. Veja que novamente o Bradesco está ligeiramente mais alto, pois o índice P/VPA revela que o preço da ação no mercado está duas vezes mais alto do que o valor por ação que está contabilizado nos livros do banco. O P/VPA do BB, como o P/L, também se mostra mais baixo do que os índices dos outros dois bancos.

Deve-se usar esse índice com cautela. Um dos problemas com o preço dividido pelo valor patrimonial por ação é distorção provocada pela inflação, dado que o preço dos livros é histórico. Eventuais mudanças tecnológicas e outras distorções contábeis podem não dar a indicação adequada da comparação entre empresa.

Preço/Vendas

O múltiplo preço por vendas é menos sujeito a distorções. Além disso, as vendas são mais estáveis do que os lucros. Uma empresa que consegue obter preço/vendas mais baixo estaria, teoricamente, mais barata do que outra com preço/vendas alto. Deve-se, entretanto, ter cuidado com esse índice, pois de nada vale ter boas vendas em relação ao preço de mercado da ação e gerar prejuízo.

Geração de Caixa (ou Free Cash Flow of the Firm) pelo Preço

Pode-se ainda dividir a geração de caixa da empresa pelo valor de mercado da ação. Esse múltiplo é ainda mais usado do que os outros porque o fluxo de caixa sofre menos manipulação, a geração de caixa é mais estável do que o lucro, além de equalizar empresas que são mais ou menos conservadoras na apuração do resultado da empresa. A geração de caixa livre da empresa (Free Cash Flow of the Firm) é a parte da receita que sobra depois de terem sido pagas as despesas operacionais, depois de ter sido constituído o capital de giro e terem sido feitos os investimentos de curto e longo prazo. Em outras palavras, são os recursos que sobram para pagar os acionistas e os credores financeiros da empresa

 Geração de Caixa para o Acionista (ou Free Cash Flow to Equity) pelo Preço

A geração de caixa livre para o acionista (Free Cash Flow to Equity) é o que sobra do FCFF após as transações financeiras: como pagamento de juros, amortizações e novos empréstimos. Desse modo, após considerar as despesas, investimentos e os custos financeiros (juros e principal), chega-se à parcela do lucro da empresa que é livre para os acionistas, denominada Free Cash Flow to Equity (FCFE). Dividindo-se o FCFE pelo preço da ação chega-se ao indicador, também chamada de FCF Yield, ou, taxa de geração de caixa livre.

Valor da Empresa pelo Lajida

O múltiplo VE/Lajida (FV/EBITDA em inglês) consiste do valor da empresa (firm value – FV ou enterprise value – EV) dividido pelo lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização. O valor da empresa é o valor de mercado da companhia, cotação atual da ação multiplicada pelo total de ações, somado à dívida líquida (dívida bruta menos o caixa). O valor da empresa pode ser pensado como o valor total que um investidor pagaria para comprar a empresa toda. Isso porque o novo proprietário deveria comprar todas as ações no mercado,  assumir as dívidas que a empresa tem e beneficiar-se de seu caixa.

Payout

O índice payout representa a proporção dos lucros líquidos que é distribuída através de dividendos e juros sobre o capital próprio. É o resultado da divisão dos dividendos somados aos juros sobre o capital próprio dividido pelo lucro líquido da empresa. Dizer, por exemplo, que Itaú tem payout de 35% quer dizer que sua ação distribui aos acionista 35% do lucro líquido gerado pelo banco. Trata-se de um índice interessante para quem monta uma carteira para gerar uma renda periódica com dividendos e juros sobre o capital próprio.

Dividend Yield

Esse índice mostra o quanto do preço de mercado da ação representa a soma de dividendos e juros sobre o capital próprio. Calcula-se pela divisão da soma de dividendos com juros sobre capital próprio pelo preço atual de mercado da ação. Se Vale tem um dividend yield de 8,4% podemos afirmar que a soma dos dividendos e os juros sobre o capital próprio representam 8,4% do preço atual da ação.

 

About cesarlocatelli

Sócio Diretor da F2 Formação Financeira. Mestre em Economia e Professor de Finanças, Derivativos e Planejamento Financeiroa
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