Frações Financeiras 33 – Os dólares estão voltando para casa?

O Institute of International Finance divulgou, no final de junho de 2013, o estudo Capital Flows to Emerging Market Economies - Fluxos de Capitais para as Economias Emergentes. Seguem os trechos do relatório que buscam explicar esses movimentos e mostram os fluxos internacionais recentes.

O que é fluxo de capitais?

Chamamos de fluxo de capitais ou fluxo internacional de capitais, a compra ou venda de ativos de investidores domésticos por investidores estrangeiros. Os ativos podem ser títulos do governo ou privados, podem ser ações e podem ser empresas inteiras.

O que são entradas e saídas de capitais?

Quando um fundo de investimentos estrangeiro, por exemplo, compra ações na bolsa brasileira, costumamos dizer que há uma entrada de capital. No momento que o investidor vende essas ações, como se retornasse com seus “dólares” para seu país, dizemos que há uma saída de capital.

De modo semelhante, se um investidor brasileiro compra ativos estrangeiros, temos uma saída de capital. Quando esse investidor vende o ativo no exterior, que pode ser um título do governo americano ou uma ação, e “retorna com seus recursos ao Brasil”, dizemos que houve um entrada de capital no Brasil. Ao computarmos todas as compras e vendas, se chegamos à conclusão que os investidores estrangeiros venderam mais ativos brasileiros do que compraram, afirmamos que houve uma saída de capital e referimo-nos ao valor líquido de vendas deduzidas as compras.

EM private capital inflowsComo o IIF avalia o início do segundo semestre de 2013?

O ambiente geral, nesse início de segundo semestre de 2013, não mais favorece os fluxos para as economias emergentes por conta do aumento da aversão a riscos e a preocupação com o término da enorme expansão monetária americana. A reversão das carteiras de ações e vendas de títulos de renda fixa que tem acontecido desde março, levou à queda pronunciada das moedas dos países emergentes, como verificamos no gráfico ao lado.

Qual foi o fluxo para os países emergentes com a injeção de liquidez do bancos centrais?

No gráfico abaixo, notamos que nos anos de relaxamento monetário – 2009 a 2012 – tivemos fluxos privados de capital para os países emergentes superiores a US$ 4 trilhões. Saliente-se, ainda que mesmo com a mudança de cenário, o IIF não projeta uma mudança brusca em 2014, ainda com fluxo positivo ligeiramente superior a US$ 1,1 trilhão.

EM capital inflows

Os Bancos Centrais injetaram trilhõede dólares ao comprar ativos domésticos

Central Bank balance sheetO tamanho dos balanços dos bancos centrais dão boa ideia da quantidade de recursos injetados por eles nas chamadas economias maduras, pois ao injetar recursos na economia, os bancos centrais adquirem ativos que passam a compor seus balanços. Veja o crescimento do balanços dos principais Bancos Centrais em porcentagem do PIB, no gráfico ao lado. A linha azul refere-se ao Banco do Japão, a  linha vermelha ao Banco Central Europeu, a verde ao Banco da Inglaterra e a azul clara ao Federal Reserve dos Estado Unidos. O Federal Reserve, por exemplo, saltou de  um balanço equivalente a 5% do PIB, em 2007, para um balanço superior a 20% do PIB, em 2013.

 Considerações finais

O Federal Reserve advertiu que podemos estar chegando ao fim das maciças injeções de recursos para tentar relançar a economia americana. A cotação do dólar e as bolsas dos países emergentes têm sofrido as consequências desse retorno de dólares às economias desenvolvidas. A estreita inter-relação existente entra as economias dos diversos países torna prudente evitar a avaliação de um país isoladamente. Desse modo, as recentes

quedas do índice Bovespa e a desvalorização do real, não devem ser tratados como fenômenos ligados exclusivamente ao Brasil. As chances de sucesso da análise são maiores, quanto mais países nossa lente conseguir captar.

Para saber mais veja: 2013 June Capital Flows to Emerging Market Economies, Institute of International Finance, disponível em http://www.iif.com/emr/resources+2915.php, acesso em 04/07/2013.

About cesarlocatelli

Sócio Diretor da F2 Formação Financeira. Mestre em Economia e Professor de Finanças, Derivativos e Planejamento Financeiroa
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