Frações Financeiras 38 – Bitcoin? O que é? Como funciona?

Nossa história dá conta de termos lançado mão de bois, conchas, pedras, sal, ouro, prata, entre outras “coisas” para servir de meio para trocar nossos bens por outros que desejávamos ou precisávamos. A partir de certa altura, os governos nacionais passaram a imprimir um pedaço de papel que cumpria essa função de meio de troca e reserva de valor. A internet agregou mais uma moeda: bitcoin, um registro único, como um número de série de uma nota, que hoje circula, especialmente nas transações on-line. Vamos entender as bitcoins?

bitcoinComo foram criadas?

Imagine um gênio da informática desconhecido. Ele criou um código aberto que é compartilhado por uma comunidade descentralizada de servidores que formam os “nós” onde são processadas e registradas as transações. As transações criam nos “nós” problemas matemáticos (encontrar uma sequência de dados chamado “block”), com dificuldade crescente e que necessitam de grande poder computacional para serem resolvidos. À medida que os problemas, ou quebra-cabeças, são solucionados aqueles que colocaram poder computacional para registrar as transações e que conseguiram chegar ao resultado ganham as bitcoins que passam a existir. Tudo se passa como se, ao abrigar o código aberto, pepitas de ouro tivessem sido enterradas em diferentes lugares e com crescente dificuldade de extração e mineradores que as encontrarem passam a ser seus donos.

Quais são as característica desejáveis em uma moeda?

Uma moeda, para merecer esse título, precisa ser amplamente aceita, resistir à falsificações, ser divisível, ser facilmente transportável e transferível, além de ter baixo custo para ser guardada com segurança.

Como se negocia com bitcoins?

Para receber ou pagar com bitcoins é necessário baixar um programa livre, em seu computador ou em seu celular, que funciona como uma carteira protegida por senha.  As transações são completadas sem intermediários. Por exemplo, ao comprar produtos da WordPress, doar recursos para o WlikiLeaks ou jogar em um cassino on-line que aceita bitcoins, pode-se transferir a moeda diretamente de sua carteira para a empresa.

Quem aceita bitcoins? E por quê?

Uma jornalista da revista Forbes (forbes.com) resolveu tentar viver por uma semana somente com bitcoins em São Francisco e, com alguma dificuldade, conseguiu. Ela afirma que em Berlim teria sido mais fácil, pois lá está a maior comunidade de comerciantes, bares inclusive, que aceitam bitcoins. Alguns dos motivos para se aceitar bitcoins: por ser entusiasta dessa moeda global, desvinculada de qualquer nação, e anônima, para cativar clientes ligados à tecnologia ou por especulação, já que o valor das bitcoins em outras moedas é bastante volátil e há casas de câmbio que as negociam por outras moedas como dólar, euros ou reais.

Onde se faz o câmbio de bitcoins?

Há diversas casas de câmbio ou bolsas, inclusive no Brasil (mercadobitcoin.com.br), que permitem fazer a troca de bitcoins por outras moedas tradicionais. A empresa Mt.Gox (mtgox.com), estabelecida em Tóquio, abriga a maior e mais antiga plataforma. O gráfico abaixo foi construído com dados da Mt.Gox e mostra a taxa de câmbio bitcoins contra dólares americano desde o início desse mercado em 2010. É possível ver o movimento especulativo ocorrido no início de 2013, quando uma bitcoin chegou a valer perto de 230 dólares. Já há história rodando no mercado de um programador de Salt Lake City que, entusiasmado com a nova moeda, tomou emprestado 20 mil dólares e aplicou em bitcoins para resgatar perto de 600 mil dólares depois de alguns meses

bitcoins por dolar

Resumindo

As bitcoins usam tecnologia P2P – peer to peer – que prescinde de autoridade central ou banco para ser operada. A emissão de bitcoins é realizada coletivamente pela rede que suporta o registro da moeda e das transações feitas. É um código aberto, seu projeto é público, sem dono ou controlador. É possível realizar transações sem revelar sua identidade, como dinheiro vivo. Qualquer pessoa pode ver as transações são registradas publicamente e permanentemente na rede, porém não é possível associar o dono das moedas ao endereço, enquanto não houver a necessidade de informações pessoais como em uma operação de câmbio.

Ken Tindell (businessinsider.com) afirma que tudo pode não passar de um piada de geeks, como a internet costumava ser.

Veja outros textos em http://www.valor.com.br/cultura/3195890/o-bilionario-mercado-de-bitcoins e no blog www.f2br.com/cesarlocatelli .



 

About cesarlocatelli

Sócio Diretor da F2 Formação Financeira. Mestre em Economia e Professor de Finanças, Derivativos e Planejamento Financeiroa
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