Uma aula de economia Keynesiana em 10 ideias de Arestis

canstockphoto6007790Vanessa Jurgenfeld entrevistou o keynesiano Philip Arestis, diretor de pesquisas do Centro de Economia e Políticas Públicas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, para o jornal Valor econômico de 23/08. Seguem 10 ideias centrais de seu pensamento.

1 Sobre a relação entre o crescimento e a inflação: “Estudos importantes do Fundo Monetário Internacional sugerem que, quando a inflação não é maior do que dois dígitos (superior a 10%), essa relação é positiva”.

2 Sobre a inflação brasileira: “A inflação está hoje ligeiramente acima de 6,5%. Mas acho que a taxa de inflação no momento não é um problema sério, já que está abaixo de dois dígitos”.

3 Sobre o regime de metas de inflação: Arestis afirma que tanto países que seguiam o regime de metas inflação, quanto aqueles que não seguiam estavam indo bem: “Nossa conclusão é que, antes de agosto de 2007, a globalização, a influência da China e de outros países mantiveram a inflação baixa e sob controle”.

4 Sobre países que não adotam o regime de metas de inflação: “Os Estados Unidos são o melhor exemplo. O ato de reforma do Federal Reserve (Fed), de 1977, não fala em metas de inflação, mas sugere que o banco central deve perseguir estabilidade de preços e, ao mesmo tempo, precisa se preocupar com o crescimento econômico, taxa de desemprego baixa e taxa de juros estável.

5 Sobre o abandono do regime de metas de inflação: Arestis advoga a necessidade de se “mais objetivos do que simplesmente a estabilidade de preços, como o pleno emprego, que é muito importante, assim como o crescimento sustentável do PIB. Não sugiro que se ignore a inflação completamente, mas existe um ponto em que a inflação talvez não seja o grande problema que as pessoas acham que é”.

6 Sobre as lições da crise: “O abandono do regime de metas de inflação, passando-se a ter mais instrumentos e mais objetivos, é provavelmente a melhor lição a extrair dessa experiência. Outra lição é que as autoridades devem se importar mais com a estabilidade financeira”.

7 Sobre a estabilidade econômica: Arestis aponta que o mundo se achava em “Grande Moderação” com expansão consistente e não inflacionária: “De repente, em agosto de 2007, tivemos essa horrível instabilidade que deu início à crise, que ainda sofremos”.

 8 Sobre uma nova regulação do sistema financeiro: “Na minha opinião, deveriam ser feitas outras coisas, como separar mais detalhadamente as atividades de bancos comerciais das dos bancos de investimentos. Em 1933, o Glass-Steagall Act estabeleceu essa separação.

9 Sobre a crença na racionalidade dos agentes que embasa a ortodoxia: “Aquela racionalidade não é, porém, consensual. Muitos não acreditam que as pessoas são totalmente racionais e acreditam, claro, que o déficit do governo pode ser importante para ajudar nos problemas da economia, como o desemprego”.

10 Sobre o uso da política fiscal: “Na reunião do G-20 de abril de 2009, decidiu-se recomendar o uso da política fiscal para evitar mais consequências negativas da crise iniciada em 2007. Essa tentativa em particular nos salvou de uma segunda Grande Depressão [como a dos anos 1930] e só tivemos uma Grande Recessão”.  E emenda: “Crescer é, provavelmente, a melhor forma de reduzir a relação dívida/PIB. Mais do que a austeridade”.

About cesarlocatelli

Sócio Diretor da F2 Formação Financeira. Mestre em Economia e Professor de Finanças, Derivativos e Planejamento Financeiroa
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