5 anos da queda do Lehman – avaliações contundentes de Sheila Bair

Sheila Bair foi presidente do Federal Deposit Insurance Corporation, uma agência FDICindependente criada pelo Congresso americano para manter a estabilidade e confiança do público no sistema financeiro através de seguros aos depósitos, até US$ 250 mil, e da supervisão das instituições financeiras.

Ela foi entrevistada a propósito do aniversário de 5 anos da liquidação do banco Lehman Brothers. Os pontos que se seguem foram escolhidos como mais representativos de sua avaliação da crise e do pós-crise.

Fizemos o suficiente para reduzir a vulnerabilidade?

1 “Não acho que fizemos o suficiente. Fizemos algumas coisas que ajudam, na margem, mas acho que o sistema ainda é frágil, muito mais precisa ser feito”.

O que ainda há por fazer?

2 “Temos mais capital nos bancos, não o suficiente, eles ainda estão muito alavancados, mas conseguimos aumentar o capita pelos processo de testes de estresse que começamos na crise”.

A exigência de capital não foi aumentada?

3 “Os reguladores subiram para 6% [de capital para o total dos ativos ponderados pelo risco], é um grande avança, traria US$ 90 bilhões de capital adicional, mas é preciso mais.

E quanto às securitizações?

4 “Acho que não fizemos nada quanto à reforma das securitizações e entendo que as securitizações foram a causa dos empréstimos mal feitos que vimos”.

“Parece que perdemos nossa vontade política para realizar qualquer tipo de reforma significativa das securitizações e isso é deplorável.”

Reformamos os fundo de money-market?

5 “Quanto à reforma do fundos de money-market (fundos de alta liquidez), que explodiram durante a crise e precisaram ser resgatados com recursos do contribuinte, não fizemos nada exceto por algum trabalho nas bordas”.

Há regras de resolução agora?

6 “Acredito que fizemos mais do que o público imagina [...] deveríamos ser mais explícitos para tomarem cuidado porque o comprador tem que tomar cuidado, ao investir nos grandes bancos, terão perdas se houver falências”.

Como estaríamos melhores em relação aos empréstimos imobiliários?

7 “Precisávamos de regras para os empréstimos imobiliários antes da crise. [...] A autoridade está agora com o Consumer Bureau (agência do consumidor), nós temos agora padrões para empréstimos, o que contribui. [...] Uma vez separado o interesse no risco da decisão de originar e financiar o empréstimo começamos a ter problemas, pois as pessoas que originavam eram pagas no início das operações então eles geravam volume.

Quais foram os principais erros cometidos antes da crise?

8 “Acho que no caminho que levou à crise havia três coisas que não deveríamos ter feito. [...] Precisávamos de padrões de empréstimos imobiliários. Não deveríamos ter desregulamentado os derivativos […] e acho que as exigências de capital estavam ficando cada vez mais fracas [...].”

Houve erros na crise?

9 “Precisávamos fazer algo (na crise), nunca disse que não deveríamos fazer algo, mas salvar todos a 100 centavos por dólar… [...] Por que não poderíamos ter resgatado os credores do AIG a 90 centavos por dólar?”

Por que a economia não está melhor?

10 “Se você ajuda as instituições muito grandes, eles restam com muito ativos ruins em seus livros e gastam muito tempo cuidando desses ativos. Isso os torna conservadores, os faz mais cuidadosos. […] Isso obstrui a economia [..]”.

About cesarlocatelli

Sócio Diretor da F2 Formação Financeira. Mestre em Economia e Professor de Finanças, Derivativos e Planejamento Financeiroa
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