S&P: desigualdade de renda dificulta recuperação norte-americana

Beth Ann Bovino, economista-chefe da Standard and Poor’s nos Estados Unidos, afirma que: “Nós gastamos muito tempo tentando pensar o quadro econômico e o que esperar para o futuro. O que me incomoda é a fragilidade dessa recuperação [da economia americana] – que é a mais fraca em 50 anos. Nós temos nos indagado das razões para isso. Uma das razões que poderia explicar o ritmo lento do crescimento econômico é a desigualdade de renda. E essa também pode ser uma das razões que nos levaram à Grande Depressão”.

Um estudo, com o título “How Increasing Inequality is Dampening U.S. Economic Growth, and Possible Ways to Change the Tide”, equivalente a “Como a desigualdade de renda está deprimindo o crescimento econômico americano e possíveis maneiras de mudar a maré”, foi publicado em 05/08/2014 por economistas da Standard & Poor’s em seu sítio. Extrai e traduzi 14 ideias interessantes do texto.

1 Uma desigualdade excessiva de renda pode minar o crescimento.

2 Os desequilíbrios na renda tendem a produzir menor mobilidade social e uma força de trabalho menos instruída, com dificuldade de competir numa economia global em transformação.

3 De acordo com a OCDE a renda média dos 10% mais ricos é 9 vezes superior aquela dos 10% mais pobres. Nos EUA a razão é de 14 para 1. O coeficiente Gini do EUA, após impostos, subiu 20% entre 1979 e 2010.

4 Piketty argumenta que o aumento de rendimento dos “super-gerentes” é a razão primária para o aumento da desigualdade, já que 70% dos acréscimos nos rendimentos foram dirigidos para 0,1% dos profissionais, entre 1979 e 2005.

5 A inovação tecnológica também contribuiu para o aumento da desigualdade, já que esse fenômeno impulsionou fortemente o valor dos rendimentos dos trabalhadores com alta especialização.

6 A junção do lento crescimento ou estagnação do valor do salário mínimo federal com o veloz crescimento da remuneração no outro extremo, dos trabalhadores de salários mais altos, é mais um fator a ser considerado.

7 As rendas de capital e os ganhos de capital tem se tornado crescentemente concentrados.

8 Os 20% mais pobres da população receberam 54% das transferências governamentais em 1979 e em 2010 receberam somente 38%.

9 As mudanças na política tributária do governo federal também exacerbaram a desigualdade de renda nas últimas décadas.

10 Como a desigualdade de renda aumentou no período anterior à crise, famílias com renda menor endividaram-se crescentemente para manter o padrão de vida semelhante ao de seu vizinhos. Primeiramente, compram uma nova casa e, conforme os preços dos imóveis subiram, tomaram empréstimos contra essa valorização de seus imóveis, mesmo com suas rendas decrescentes. Com a queda nos preços dos imóveis, as famílias de renda mais baixa cortaram seus gastos duas vezes mais fortemente do que as famílias mais ricas.

11 Entre 2007 e 2010 as famílias americanas perderam 39,6% de seus patrimônios líquidos.

12 Estudo de três economistas do FMI, sustenta que promover maior igualdade pode também aumentar a eficiência, sob a forma de um crescimento mais sustentável no longo prazo.

13 A desigualdade aumenta a suscetibilidade da economia a períodos mais curtos de crescimento, seguidos de recessão. Além desse risco, a desigualdade provoca maior instabilidade política, desencorajando os investimentos e dificultando a adoção de políticas que evitem choques, como subida dos juros e cortes em gastos.

14 O desafio agora é encontrar o caminho para um crescimento mais sustentável, que deve passar por retirar mais americanos da pobreza e impulsionar o poder de compra da classe média. “Uma maré em alta faz com que todos os barcos subam, mas um barco de salvamento carregando alguns poucos, cercados por muitos tentando sobreviver, arrisca-se a virar de cabeça para baixo”.

About cesarlocatelli

Sócio Diretor da F2 Formação Financeira. Mestre em Economia e Professor de Finanças, Derivativos e Planejamento Financeiroa
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