Quer entender a dívida externa brasileira?

Muitas vezes nos perguntamos sobre a real situação externa do Brasil. Vamos ver com os gráficos que seguem como está o país nesse quesito?

As crises da dívida externa que tivemos no passado e as vezes que tivemos que ir pedir dinheiro ao FMI ocorreram porque a dívida do governo era muito alta e não tínhamos dólares suficientes para pagar o que devíamos ao exterior.

Dívida Externa Bruta do Governo

Aqui mostramos a situação da dívida externa do governo. Girava um pouco acima de 80 bilhões no início dos anos 2000 e em junho de 2014 estava em 67,5 bilhões de dólares.

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Reservas Internacionais

A grande diferença dos últimos anos, no entanto, não está na dívida, mas no expressivo aumento de reservas que o Brasil dispõe para pagar a dívida.

O país tinha algo em torno de 50 bilhões de dólares nos anos 1990 e 38 bilhões em dezembro de 2002. Em outubro de 2014, o país dispunha de 377 bilhões de dólares, o que representava  mais de cinco vezes o montante da dívida do governo. Veja a evolução das reservas.

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 Dívida externa dos bancos, de outros setores privados e do governo

O gráfico que se segue agrega os três principais grupos de tomadores de empréstimos no exterior os bancos, outras empresas e o governo. Ressalte-se que, enquanto a dívida externa do governo foi reduzida, aumentaram as dívidas dos bancos e das empresas. No final do segundo trimestre de 201, último dado do gráfico, os bancos deviam 146 bilhões de dólares ao exterior, outras empresas deviam 116 bilhões e o governo 68 bilhões.

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Dívida como porcentagem do PIB

Quando queremos avaliar se a dívida é grande ou pequena temos que compará-la com o tamanho da economia do país. Como a melhor medida do tamanho da economia é o Produto Interno Bruto calculamos quanto a dívida representa do PIB. É isso que temos nesse próximo gráfico. No final do período temos uma dívida negativa, que indica que temos mais reservas (dólares e outras moedas) do que devemos ao exterior.

O ponto máximo da série dívida bruta foi 41,8 % em dezembro de 2002, o que significa que a dívida bruta equivalia a cerca de 42% do que produzimos naquele ano.

Para calcularmos a dívida líquida temos de levar em conta o montante que o país tem de reservas em moedas fortes. Nesse caso tivemos 32,7 % de valor máximo em dezembro de 2002, o que equivale a perto de 1/3 do que produzimos em 2002. O menor valor da série foi em dezembro de 2013 com 4,2% negativos, ou seja, tínhamos mais reservas do que dívida e o excesso era 4% do PIB.

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 Empréstimos Intercompanhia

O investimento direto está divido em participação no capital e empréstimos intercompanhia.

Os empréstimos intercompanhias representam os créditos concedidos pelas matrizes, sediadas no exterior, a suas subsidiárias ou filiais estabelecidas no país. Esse recurso está investido na empresa no Brasil e embora tenha o caráter de dívida, devemos encará-lo mais como investimento da matriz na subsidiária do que como dívida externa. Não se trata de um recurso líquido que pode a qualquer momento deixar o país.

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Dívida externa bruta incluindo empréstimos intercompanhias

Nesse próximo gráfico são apresentadas as dívidas dos diversos setores e adicionados os empréstimos que as matrizes no exterior fizeram a suas subsidiárias no Brasil. Não são levadas em conta as reservas do país, nem o fato de os empréstimos intercompanhias terem mais características de investimento. Se tomarmos o PIB de 12 meses até agosto de 2014, a dívida mostrada desse modo representa 23% do PIB.

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About cesarlocatelli

Sócio Diretor da F2 Formação Financeira. Mestre em Economia e Professor de Finanças, Derivativos e Planejamento Financeiroa
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