Por que o BC subiu a taxa de juros em 0,5 ponto?

Pontos mais importantes da Ata da 188a reunião do Copom.

bc 50 anos1. BC vê inflação alta no curto prazo, entrando em longo declínio

As informações disponíveis sugerem certa persistência da inflação, o que se reflete, em parte, na dinâmica dos preços no segmento de serviços, cujos preços subiram 8,33% (8,75% em 2013).

Nesse contexto, o Comitê não descarta a ocorrência de cenário que contempla elevação da inflação no curto prazo, antecipa que a inflação tende a permanecer elevada em 2015, porém, ainda este ano entra em longo período de declínio.

2. Muitos preços estão subindo

O índice de difusão, que indica a disseminação do aumento de preços, situou-se em 68,4% em dezembro (1,0 p.p. abaixo do registrado em dezembro de 2013). Isso indica que 68,4% dos preços subiram. Esse resultado é alto, quer dizer que muitos preços estão subindo.

3. A indústria ainda sofre

O setor industrial acumula variação negativa de 3,2% até novembro de 2014. De acordo com dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o faturamento real da indústria de transformação recuou 4,9% de outubro para novembro, de acordo com a série livre de influências sazonais, e encontra-se em nível 4,8% menor do que o registrado em novembro de 2013.

4. O desemprego continua baixo e há pouca ociosidade

A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) situou-se em 4,8% em novembro, com aumento de 0,1 p.p. em relação ao mês anterior e de 0,2 p.p. em relação a novembro de 2013.

Em suma, dados disponíveis indicam estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho, embora alguns dados apontem processo de acomodação.

O Comitê avalia que a dinâmica salarial ainda permanece originando pressões inflacionárias de custos.

5. O comércio continuará vendendo bem

O Copom avalia que a trajetória do comércio continuará sendo influenciada pelas transferências governamentais, pelo ritmo de crescimento da massa salarial real e pela expansão moderada do crédito.

6. Há folga na capacidade instalada da indústria

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação, calculado pela FGV, sem ajuste sazonal, alcançou 81,9% em dezembro e, na série dessazonalizada, 81,3%.

7. O deficit de transações correntes foi coberto por investimenos estrangeiros

O deficit da balança comercial atingiu US$3,9 bilhões em doze meses até dezembro. Esse resultado adveio de exportações de US$225,1 bilhões e de importações de US$229,0 bilhões, com recuo de 7,0% e de 4,4%, respectivamente, em relação ao acumulado até dezembro de 2013.

Por sua vez, o deficit em transações correntes acumulado em doze meses atingiu US$88,7 bilhões em novembro, equivalente a 4,0% do Produto Interno Bruto (PIB). Já os investimentos estrangeiros diretos totalizaram US$62,3 bilhões na mesma base de comparação, equivalentes a 2,8% do PIB.

8. A Europa ainda está fraca

Sobre a Europa, em que pesem ações de política monetária recentes, altas taxas de desemprego, aliadas à consolidação fiscal e a incertezas políticas, constituem elementos de contenção de investimentos e do crescimento.

 9. Caem preços de petróleo, commodities metálicas, agrícolas e alimentos

O preço do barril de petróleo do tipo Brent recuou desde a reunião anterior do Copom e atingiu patamares abaixo de US$50. Cabe ressaltar que a complexidade geopolítica que envolve o setor de petróleo tende a acentuar o comportamento volátil dos preços, que é reflexo, também, da baixa previsibilidade de alguns componentes da demanda global e oferta.

Desde a reunião anterior do Copom, os preços internacionais das commodities agrícolas e metálicas recuaram 8,63% e 5,04%, respectivamente.

Por sua vez, o Índice de Preços de Alimentos, calculado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), recuou 8,5% em doze meses até dezembro de 2014.

10. BC trabalha com 8% de reajuste na gasolina e 27,6% na energia elétrica

Para o conjunto de preços administrados por contrato e monitorados, projeta-se variação de 9,3% em 2015, ante 6,0% considerados na reunião do Copom de dezembro.

Entre outros fatores, essa projeção considera hipótese de elevação de 8% no preço da gasolina, de 3,0% no preço do gás de bujão, de 0,6% nas tarifas de telefonia fixa e de 27,6% nos preços da energia elétrica.

11. País deve ter superavit fiscal de 1,2% em 2015 e 2% em 2016

Considera-se como indicador fiscal o superavit primário estrutural que deriva das trajetórias de superavit primário de 1,2% do PIB em 2015 e de 2% do PIB em 2016. Cabe destacar, ainda, que, em determinado período, o impulso fiscal equivale à variação do superavit estrutural em relação ao observado no período anterior.

12. Qual é a expectativa do mercado para o IPCA?

Desde a última reunião do Copom, a mediana das projeções coletadas pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) para a variação do IPCA em 2015 passou de 6,49% para 6,72% e, para 2016, de 5,70% para 5,60%.

13. Com que dólar e taxa de juros o BC trabalha?

O cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa de câmbio em R$2,65/US$ e da taxa Selic em 11,75% ao ano em todo o horizonte relevante.

14. O que o BC acha do cenário internacional?

O Copom considera que, desde sua última reunião, permaneceram elevados os riscos para a estabilidade financeira global.

Em 2014 as taxas de crescimento de importantes economias foram menores do que se antecipava. Mesmo assim prevalece tendência de atividade global mais intensa ao longo do horizonte relevante para a política monetária.

As  perspectivas indicam recuperação da atividade em algumas economias maduras e intensificação do ritmo de crescimento em outras.

Mesmo com a força da demanda doméstica, importantes economias emergentes experimentam período de transição e de moderação no ritmo de atividade.

 15. Posto isso, qual foi a decisão do Copom?

Diante do acima exposto, avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,50 p.p., para 12,25% a.a., sem viés.

About cesarlocatelli

Sócio Diretor da F2 Formação Financeira. Mestre em Economia e Professor de Finanças, Derivativos e Planejamento Financeiroa
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