Carteira teórica do Ibovespa set/dez 2013

Caretira Ibovespa

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Frações Financeiras 42 – Como o boletim Focus pode te ajudar?

focusToda segunda-feira, o Banco Central do Brasil (BC) divulga, pela Internet, o boletim Focus – Relatório de Mercado. Analisar essa publicação é o modo mais rápido de se entender o que parte expressiva do mercado financeiro espera para a taxa de inflação, taxa de câmbio, taxa de juros, crescimento do produto interno bruto (PIB), variação da dívida líquida do setor público (DSLP) e para as contas externas.

 Diversos economistas, especialmente aqueles que trabalham em instituições financeiras, enviam suas expectativas na semana anterior à divulgação e o BC compila os dados e os divulga bem cedo às segundas. Os dados são, em sua maioria, divulgados sob a forma de mediana que é o valor que divide uma amostra em duas partes iguais. Em outros termos, a mediana é calculada de modo que pelo menos a metade das observações seja igual ou maiores do que ela, e que haja pelo menos outra metade de observações menores do que ela.

Vamos destacar alguns resultados do relatório de 30 de agosto de 2013, divulgado na segunda-feira, 2 de setembro de 2013.

IPCA

O Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) é um índice de inflação calculado pelo IBGE e é usado para medir se o BC está ou não atingindo a meta de inflação determinada pelo Conselho Monetário Nacional. A mediana das expectativas para o IPCA de 2013 ficou em 5,83na semana anterior tinha ficado em 5,80%. Há 4 semanas esperava-se 5,75%. Para 2014, a mediana das projeções estabilizou-se em 5,84. O mercado financeiro espera taxas de 0,25% e 0,46% para setembro e outubro, respectivamente.

 Taxa de câmbio

Para o final de 2013 é prevista uma taxa de câmbio de R$ 2,36 por dólar norte-americano. Há 4 semanas esperava-se R$ 2,25. Para o final de 2014 é esperada uma taxa de R$ 2,40 por dólar, taxa que estava em R$ 2,30 há 4 semanas.

 Taxa Selic

A taxa Selic, também denominada taxa básica da economia brasileira, é a taxa média das operações de um dia, realizadas pelos bancos e com intervenções do BC, com garantia de títulos públicos. A projeção para a taxa Selic manteve-se em 9,5% ao ano para o final de 2013. Para 2014, o mercado também projeta uma média, ao longo de ano, de 9,50%, encerrando 2014 em 9,75%.

Pode-se notar que está implícito nessas taxas que pressões inflacionárias, em 2014, obrigarão o BC a manter os juros em nível semelhante aos atuais 9% ao ano.

 PIB

Com relação ao crescimento da economia brasileira, a mediana das expectativas para 2013 situa-se em 2,32% para o crescimento do PIB e, para 2014, projeta-se um crescimento semelhante 2,30%. Há uma semana, o mercado estimava um crescimento menor para o PIB em 2013, acima de 2,20%.  Entretanto, o crescimento de 1,5% no segundo trimestre de 2013, terminou por levar  a uma alta de 0,12% nas expectativas em apenas uma semana.

 DLSP

Se essa amostra do mercado financeiro estiver correta, a dívida líquida do setor público (DSLP) fechará 2013 representando 35% do PIB e em 2014 terminará em 34,85% do PIB.

 “Top Five”

O BC divulga também, em seu boletim Focus, as projeções das cinco instituições que mais acertos têm na comparação entre suas previsões e a realidade posteriormente observada. Para se ver um exemplo, as “Top Five” preveem uma média da taxa Selic de 9,75% ao ano para o final de 2013, indicando que alguns economistas veem a possibilidade de o BC não parar o aumento dos juros em 9%. A projeção média do “Top Five” para o IPCA em 2013 e 2014 em 5,59% e 5,53%, respectivamente, está menor do que mediana do mercado como um todo.

Para ver mais sobre o boletim Focus vá ao sítio de BC em www.bcb.gov.br/?FOCUSRELMERC

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Frações Financeiras 41 – Vamos avaliar o rendimento da poupança?

O rendimento da caderneta de poupança volta a ter o antigo rendimento toda vez que a taxa Selic fica acima de 8,5%. Vamos ver como era, como ficou e como fica com a taxa Selic em 9%. 

Os três momentos no gráfico

Veja o gráfico abaixo, que mostra o rendimento mensal da caderneta de poupança tomando-se sempre o primeiro dia de cada mês como referência. O gráfico se inicia em janeiro de 2008 e vai até agosto de 2013.

 rendimento poupança 5 anoss

 Regra antiga

Até maio de 2012, a caderneta de poupança rendia a taxa referencial (TR), que é uma taxa calculada pelo Banco Central com base em aplicações em CDBs do mercado financeiro, mais 0,5% ao mês. Se olharmos o mês de agosto de 2011, veremos que a taxa do mês ficou em 0,71%. Isso quer dizer que a TR ficou próxima de 0,21% que somado ao 0,5% chega-se a 0,71% de rendimento entre 01/08/2011 e 01/09/2011.

 Regra nova

Em 02/05/2012 a regra da poupança mudou para os novos depósitos. Por isso é que no gráfico vemos duas linhas: uma laranja e outra azul. A laranja vale para depósitos anteriores ao dia 04/05/2012 e a azul vale para o depósitos a partir desse dia.

Na linha laranja, podemos perceber que de setembro de 2012 a junho de 2013 a taxa ficou em 0,5% ao mês. Isso significa que nesse período a TR foi igual a 0%.

A linha azul, que antes não existia, mostra o rendimento para novos depósitos que passaram a render 1) TR mais 70% da taxa Selic toda vez que essa taxa estiver igual ou abaixo de 8,5% ou 2) TR mais 0,5% quando a Selic estiver acima de 8,5%.

 Selic igual ou abaixo de 8,5%

Vejamos que de novembro de 2012 até abril de 2013, a taxa mensal ficou no mínimo da período, que significa 0, 4134% ao mês, que corresponde a 70% da taxa Selic anual do período de 7,25%. Para chegarmos a esse valor mensal tomamos um mês da taxa anual de 70% de 7,25% ao ano e TR igual a 0%.

 Selic acima de 8,5%

Com a decisão do Comitê de Política Monetária de subir a taxa Selic para 9%, todos os depósitos na poupança voltam a render TR mais 0,5% ao mês. Os depósitos posteriores a 04/05/2012 só voltam a render TR mais 70% da taxa Selic quando e se a taxa Selic voltar para baixo dos 8,5%.

Dia a dia dos últimos 3 meses

Na tabela abaixo, temos o rendimento mensal para cada dia de aniversário da poupança dos últimos 3 meses. Aniversário da poupança é o dia do mês no qual foi feito o depósito inicial.

 rendimento poupança 3 meses

 Como no dia 28/08/2013 o Comitê de Política Monetária elevou a taxa Selic para 9%, não haverá mais diferença entre os rendimentos dos depósitos anteriores ou posteriores ao dia 04/04/2011. A diferença volta a ocorrer quando e se a taxa voltar a ser 8,5% ao ano ou menos.

Imposto de renda sobre o rendimento das aplicações financeiras

Ao comparar aplicações financeiras deve-se também levar em conta que os rendimentos da caderneta não sofrem incidência de imposto de renda, que nos fundo e nas aplicações de renda fixa reduzem o rendimento em 22,5% para operações até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% até 720 dias e 15% para prazos superiores a 720 dias.

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Frações Financeiras 40 – Nossas manias nas decisões de investimento

“A lista das manias que as pessoas exibem em seus investimentos é bastante longa”. Desse modo Cronqvist e Siegel iniciam seu trabalho recente sobre causas dos vieses, dos julgamentos enviesados, que temos quando investimos.

 Você vê alguma dessas manias em você?

 Diversificação inadequadadinheiro saindo pela janela

Há evidências consistentes que indicam preferência por investimentos em mercados mais próximos. Desse modo, concentra-se em ações de empresas locais, por exemplo, não atingindo a diversificação mais adequada para a carteira.

Excesso de transações

Os indivíduos fazem muito mais transações do que seria racionalmente justificável. Essa propensão tem sido relacionada com excesso de confiança e com busca de emoções.

Relutância em vender com prejuízo (Disposition Effect)

Pesquisas indicam que as pessoas têm clara inclinação a reter investimentos com prejuízo e a se desfazer de investimentos com lucros. Uma tentativa de explicar essa predisposição é que o abalo emocional de uma perda supera muito a satisfação de ganhar. Em outros termos, desgostamos mais dos prejuízos do que gostamos dos lucros

Caça a desempenho passado (Performance Chasing)

Mesmo tendo lido, inúmeras vezes, que o desempenho passado não é garantia de desempenho futuro, os investidores optam por ações e fundos que tiveram bom ganho recente. O ponto crucial é que optam por essas aplicações sem evidências que apóiem sua decisão. Estudos empíricos demonstram que essa estratégia de seleção de investimentos pode ser bastante prejudicial para os retornos do investidor.

Preferência por retornos assimétricos (Skewness Preference)

“O desejo de apostar tem raízes profundas na psique humana”, declara Alok Kumar. O investidor tem preferência por ações ou fundos que se assemelham a loterias ou jogos de azar. A distribuição de retornos desses jogos tem caudas longas para a direita, indicando que existe a possibilidade de altíssmos ganhos, com baixíssima probabilidade. A atração por esses ganhos parece irresistível, mesmo com probabilidade muito baixa. A explicação sugerida para esse fato é que as pessoas superestimam a probabilidade de ocorrência de eventos extremos, como altos ganhos, e subestimam a probabilidade do resultado ficar na média ou próximo dela.

O viés de otimismo

O viés de otimismo ou excesso de otimismo nos faz crer que corremos menos risco, do que outras pessoas, de ter um evento negativo. Achamos que nossas aplicações no mercado financeiro tem menor chance de perda do que realmente tem. Cálculos excessivamente otimistas podem nos levar a erros desastrosos, como apostar muito mais do que seria prudente em investimentos de alto risco.

Para se aprofundar um pouco mais recomendo:

1. Cronqvist, H., Siegel, S., 2012. Why Do Individuals Exhibit Investment Biases? Disponível em: http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2009094. Acesso em 23/02/2012.

2. Kahneman, D., Tversky, A., 1979. Prospect theory: An analysis of decision under risk. Econometrica 7 (2), 263{292. Disponível em http://3xfund.com.cn/images/article008.pdf. Acesso em 23/02/2012.

3. Kumar, A., 2009. Who gambles in the stock market? Journal of Finance 64 (4), 1889{1933. Disponível em http://www.afajof.org/afa/forthcoming/4195.pdf. Acesso em 23/02/2012.

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