Frações Financeiras 31 – BC leiloa swaps cambiais. O que é swap cambial?

O Banco Central tem usado com frequência o instrumento swap cambial para influir na taxa de câmbio quando julga necessário. Vamos entender o funcionamento de um swap cambial tradicional e de um swap cambial reverso?

Venda de dólares para aplicar em reais

Imaginemos que um investidor toma US$ 50 mil emprestados em dólares. No vencimento, ele vai pagar esse valor mais a taxa de juros combinada. Vamos imaginar que, quando recebe os recursos do empréstimo, ele troque os dólares por reais e, com os reais, compre LFTs que rendem a taxa média Selic.

taxa de cambioNo vencimento, ele resgata a LFT, que estará corrigida pela taxa Selic no período. Com os reais na mão, o investidor comprará dólares pela cotação do momento e usará esses dólares para quitar o empréstimo que fez lá no início de tudo.

 Quando o investidor ganha?

 Duas coisas podem acontecer: faltar dinheiro ou sobrar dinheiro. Como ele ficou “comprado” em reais e, consequentemente, “vendido” em dólares, faltará dinheiro para pagar o empréstimo se a cotação do dólar contra o real tiver subido mais do que rendeu sua aplicação em LFTs. Por outro lado, se o dólar tiver subido menos do que rendeu a aplicação em taxa Selic, o investidor pagará o empréstimo e sobrará com dólares na mão.

 Swap cambial tradicional

 Essa operação é equivalente a contratar um swap cambial, onde nosso investidor assume um passivo em dólares e um ativo em reais corrigidos pela taxa Selic. Não há, no entanto, troca de recursos no início da operação. E, dado que existe um diferencial de taxas entre a captação em dólares e a aplicação em reais, o swap deve refletir isso.

 Atuação do Banco Central

Veja as operações que o Banco Central (extraída da resenha do Demab) fez nos dias 10 e 11 de junho de 2013.

tabela swapComo no leilão de swap cambial tradicional o Banco Central assume a posição passiva em dólares e ativa em taxa Selic, as operações acima colocam o Banco Central na mesma posição de nosso investidor imaginário. O BC ganhará se a taxa Selic no período superar a variação cambial acrescida da taxa de juros pactuada.

Um exemplo

Na primeira linha da tabela vemos que o BC negociou 10.000 contratos de 11/6/13 e 1/7/13 com taxa de 6,04%. Cada contrato tem o valor final de US$ 50.000. Como a taxa acordada foi 6,04%, devemos descontar, de modo linear, essa taxa pelo período de 19 dias. Desse modo o valor financeiro inicial de cada contrato foi US$ 49.841, que resulta da fórmula (50.000/(1+6,04*19/36000)).

Considerando uma taxa de fechamento do câmbio em 10/06 de R$ 2,15035, teremos um valor inicial em reais de R$ 107.175,85 e um valor inicial em dólares de US$ 49.841. O valor em dólares se transformará em US$ 50 mil no vencimento multiplicados pela taxa de fechamento do câmbio do dia anterior a 1/7. O valor em reais será corrigido de 11/06 até o dia anterior a 1/7 pela taxa Selic. No vencimento vamos comparar esses dois valores.

Do lado do Banco Central o resultado final será receber a diferença entre o valor inicial corrigido pela taxa Selic e os US$ 50 mil, se essa diferença for positiva. Ou pagar se a diferença for negativa. Em outras palavra, o Banco Central está oferecendo hedge ao mercado, pois ele corre o risco de a taxa de câmbio subir mais do que a variação da taxa Selic no período.

Do lado do investidor ocorrerá exatamente o contrário, ele pagará se os US$ 50 mil convertidos para reais forem inferiores ao valor dos reais corrigidos pela taxa Selic. Desse modo ele está protegido contra uma alta da taxa de câmbio superior ao acumulado da taxa Selic, mas pagará a diferença se a taxa de câmbio ficar abaixo da taxa Selic no período.

Swap Cambial Reverso

O Banco Central lança mão do swap cambial reverso quando julga necessário atuar para ajudar a subir a cotação do dólar, ou seja quando acha que o real está muito valorizado, como na época que girava ao redor de R$1,60 por dólar.

Nesse caso o BC fica comprado em dólares e vendido em reais corrigidos pela taxa Selic. O mercado atua como vendedor de dólares e comprador de reais corrigidos pela taxa Selic. Exatamente a posição inversa da que exemplificamos acima.


[1]César Locatelli é economista e mestre em economia. É sócio diretor da F2 Formação Financeira e certificado CFP® e ex-diretor de risco de mercado no BankBoston.

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Dez frases do ministro Mantega no Valor Econômico de 06/06/2013

1 Sobre a reação dos mercados ao anúncio de Bernanke

“Câmbio é importante. Nesse momento, há uma desvalorização generalizada, principalmente nos países emergentes produtores de commodities, por causa do presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, que anunciou que deverá reduzir os estímulos e comprar menos ativos financeiros.”

2 Sobre a permanência da taxa a R$2,10

“Acho que teremos volatilidade, idas e vindas ao sabor das notícias. Se a recuperação não se consolidar, o Fed manterá os estímulos. Por enquanto os sinais são erráticos.”

3 Sobre a queda no saldo comercial

“Essa queda, aliás, se deve praticamente à conta petróleo. Sem o petróleo, estaríamos com superávit de mais de US$ 5 bilhões no quadrimestre.”

4 Sobre a liberdade de flutuação da taxa de câmbio.

 “O Banco Central não está comprando divisas há muito tempo e mesmo os “swaps”, as intervenções no mercado futuro, estavam praticamente zeradas até a semana passada.“

5 Sobre o fim do IOF na renda fixa

“Estamos gradualmente tirando a incidência dos IOF. Tiramos da renda variável e, agora, da renda fixa.”

6 Sobre a desvalorização do câmbio e gastos de viagens.

“Nós desvalorizamos o real em 17% a 18% no ano passado, mas os gastos com viagens internacionais só aumentam. Acho que eles respondem mais à renda do cidadão, da classe média.”

7 Sobre o aumento dos investimentos

“A retomada dos investimentos foi confirmada nos dados de abril, que mostram vigor. E não é só na área de caminhões. Nos dados divulgados pelo IBGE na terça-feira, da Pesquisa Industrial Mensal, o que chama a atenção é exatamente o investimento que está difuso. “

8 Sobre o consumo

“Nós constituímos um mercado interno poderoso no Brasil e isso representa 60% do PIB. O consumo continuará crescendo, provavelmente a uma taxa mais baixa do que no passado.”

9 Sobre o fluxo de recursos

“O nosso fluxo não me preocupa, porque o investimento estrangeiro direto será forte”

10 Sobre o aumento da taxa Selic

“O surto inflacionário, que já está passando, criou uma expectativa ruim. Então o Banco Central [ao elevar os juros] corta essa expectativa e diminui a possibilidade de uma propagação da inflação.

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Frações Financeiras 30 – O Índice Bovespa vai mudar. O que isso significa?

O mercado de ações usa alguns índices para facilitar o comparação entre os preços de conjuntos de ações de uma bolsa de valores. No Brasil existem vários índices e o mais importante é o Índice Bovespa. Quer entender como ele funciona?

Como o índice foi construído?

Lá em 1968, fizemos o cálculo de quais ações eram as mais negociadas na bolsa e determinamos que a ação mais negociada representava, por exemplo, 8% da bolsa, a segunda representava 5% e assim por diante. Em seguida, decidimos comprar R$ 100 dividindo nessa mesma proporção: compramos R$ 8 da ação mais negociada da bolsa, R$ 5 da segunda, etc.

No momento que compramos a carteira ela valia R$ 100 ou 100 pontos. No dia seguinte, pegamos todas as ações que compõem a carteira e calculamos seu valor com base nos preços do mercado no fechamento do pregão. Se o valor da carteira passou, por exemplo, para R$ 101, dizemos que a bolsa subiu 1%. Se caiu para R$ 99, dizemos que a bolsa, ou o índice, caiu 1 %. Fazemos esse cálculo todos os dias para saber e divulgar se a bolsa, ou seja, se essa carteira que construímos em teoria, subiu ou caiu.

Como são escolhidas as ações que compõem o índice?

Vamos entender o principal critério para uma ação ser incluída no Índice Bovespa. Primeiro, tomamos 12 meses de negociações e calculamos para cada ação seu Índice de Negociabilidade. Esse índice leva em conta o número de negócios que foram feitos com a ação dividido pelo número de negócios totais executados na bolsa no período que queremos. Além disso, o índice leva em conta o volume financeiro negociada nessa ação dividido pelo volume financeiro total da bolsa.

Depois de calculados o Índices de Negociabilidade de todas a ações, ordenamos os resultados iniciando da ação de maior índice para a de menor. Selecionamos aquelas ações de maior índice e vamos somando seus índices até atingir 80% do Índice total de Negociabilidade acumulado de todas as ações.

Nova carteira entra em vigor em Maio

As reavaliações e o rebalanceamento da carteira teórica acontece a cada 4 meses. Por exemplo, em maio entra em vigor uma nova carteira, calculada de maio do ano anterior até abril do ano corrente. Calculamos os Índices de Negociabilidade de cada ação nesse período, selecionamos as ações e determinamos as quantidades de cada ação para chegarmos ao número de pontos do índice atual. Por exemplo, se chegamos à conclusão que Petrobras PN deve representar 7,9% do índice, que está atualmente em 54.000, calculamos o número de ações que compraríamos com 7,9% de R$ 54.000 e essa quantidade de Petrobras PN comporá nossa carteira teórica.

A carteira a partir de maio de 2013

carteira teórica.gif

Evolução

Veja a evolução do Ibovespa desde 1994 (fonte BM&FBovespa).

Ibovespa Gráfico

Para mais informações http://www.bmfbovespa.com.br/Indices/download/IBovespa.pdf

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Onde aplicar na atual conjuntura? Entrevista à Rádio Jovem Pan em 19/04/2013

Clique no link para ouvir

CESAR LOCATELLI 19042013

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