Notas sobre o Setor Externo

Divulgadas pelo Banco Central em 23.1.2015

Balanço de pagamentos – Dezembro de 2014

O balanço de pagamentos, que é o resultado total das transações com o exterior, registrou deficit de US$9,8 bilhões em dezembro, e superavit de US$10,8 bilhões em 2014, Entrou na “conta” do Brasil US 10,8 bi a mais do que saiu.

Em outras palavras, considerando todo o comércio exterior, todos os serviços, todos investimentos no Brasil e de brasileiros no exterior, o país recebeu US$ 10,8 bilhões a mais do que pagou

Transações correntes

As transações correntes, que agregam o comércio, serviços, juros, lucros, etc. apresentaram deficit de US$10,3 bilhões no mês.

No ano, o resultado em conta corrente foi negativo em US$90,9 bilhões, equivalentes a 4,17% do PIB, comparativamente a deficit de US$81,1 bilhões, 3,62% do PIB, em 2013.

Balança comercial

Se olharmos só a balança comercial veremos que as exportações foram de US$ 225,1 bi em 2014. As importações atingiram US$ 229,0 bi. Desse modo o saldo comercial: déficit de US$ 3,93 bilhões.

Investimentos estrangeiro diretos (IED)

Os investimentos estrangeiros diretos registraram ingressos líquidos de US$6,7 bilhões em dezembro.

No ano, os fluxos líquidos de IED alcançaram US$62,5 bilhões, redução de 2,3% comparativamente ao resultado do ano anterior.

Desse total de US$62,5 bilhões, houve ingressos líquidos, de US$47,3 bilhões, em participação no capital de empresas no País e US$15,2 bilhões, em 2014 em empréstimos intercompanhias.

Investimentos em carteira

Esses investimentos em carteira consideram estrangeiros que tem aplicações financeiras no Brasil em títulos de renda fixa e ações.

Os investimentos estrangeiros em carteira apresentaram saídas líquidas de US$9,5 bilhões, no mês, e ingressos líquidos de US$33,5 bilhões em 2014, comparativamente a US$34,7 bilhões, no ano anterior.

No ano, ingressaram US$20,1 bilhões para compra de títulos de renda fixa e US$11,5 bilhões para compra de ações.

Reservas internacionais

As reservas internacionais, valores que o Brasil tem em moedas fortes e ouro, no conceito liquidez totalizaram US$374,1 bilhões em dezembro de 2014.

Dívida externa

A posição da dívida externa bruta estimada para dezembro totalizou US$347,6 bilhões, elevação de US$9,3 bilhões em relação ao montante apurado para setembro de 2014. Se compararmo a dívida brutas externa com as reservas veremos de somos credores do resto do mundo.

Posted in Frações Financeiras | Leave a comment

Você viu o Relatório Focus publicado em 26/01/2015?

Toda semana o Banco Central coleta opiniões de economistas sobre o futuro da inflação, do dólar,do PIB e outras variávei da economia brasileira. Esse relatório, que se chama relatório Focus mostra a expectativa de economistas, principalmente aqueles ligados ao mercado financeiro, para as variáveis mais importantes da economia brasileira. Trata-se de um indicativo do pensamento atual do mercado financeiro. Veja abaixo as previsões.

1. IPCA

A previsão da inflação medida pelo IPCA para fechamento de 2015 é de 6,99% e para 2016 espera-se 5,60%. Para janeiro de 2015 a expectativa chega a 1,24% e para fevereiro chega a 1,05%. Todas as ecpetativas mencionadas subiram nas últimas semanas, mas é esperada a convergência mais para perto do centro da meta, 4,5%, em 2016.

2. Dólar

O mercado espera que o dólar feche 2015 em R$ 2,80 e 2016 em R$ 2,90. A média da taxa de câmbio de reais para dólares do ano de 2015 é prevista para R$ 2,72 e a média para 2016 é R$ 2,82. Hoje, dia 26/01/2015. o mercado opera a taxa de câmbio pouco abaixo de R2,60.

3. Taxa Selic

Se o mercado estiver certo, a taxa Selic fechará o ano de 2015 em 12,50% e a expectativa para a média de 2016 é de 11,69 10,50%. Como a taxa Selic atual já está em 12,25% ao ano parece que o mercado está julgando que estamos perto do topo das últimas subidas de taxa.

4. PIB

Os economistas esperam que o produto brasileiro cresça 0,13% em 2015 e 1,54 em 2016. O mercado esperava, há 4 semanas atrás, que o crescimento do PIB em 2015 fosse de 0,55% no ano. Isso revela um início de ano mais pessimista quanto ao crescimento do produto brasileiro.

5. Dívida líquida do setor público

O mercado tem a expectativa que a dívida líquida do governo termine o ano de 2015 em 37% do PIB e encerre 2016 em 37,50%. Veja que nesse ítem o mercado prevê certa estabilidade já que estamos com próximos a 36% de dívida líquida em relação ao Produto Interno Bruto. Não se prevê, assim, aumento do endividamento dos setores públicos federal, estadual e municipal

Para mais detalhes veja http://www.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/R20150123.pdf

Posted in Frações Financeiras | Leave a comment

Quer entender a dívida externa brasileira?

Muitas vezes nos perguntamos sobre a real situação externa do Brasil. Vamos ver com os gráficos que seguem como está o país nesse quesito?

As crises da dívida externa que tivemos no passado e as vezes que tivemos que ir pedir dinheiro ao FMI ocorreram porque a dívida do governo era muito alta e não tínhamos dólares suficientes para pagar o que devíamos ao exterior.

Dívida Externa Bruta do Governo

Aqui mostramos a situação da dívida externa do governo. Girava um pouco acima de 80 bilhões no início dos anos 2000 e em junho de 2014 estava em 67,5 bilhões de dólares.

divida 1

Reservas Internacionais

A grande diferença dos últimos anos, no entanto, não está na dívida, mas no expressivo aumento de reservas que o Brasil dispõe para pagar a dívida.

O país tinha algo em torno de 50 bilhões de dólares nos anos 1990 e 38 bilhões em dezembro de 2002. Em outubro de 2014, o país dispunha de 377 bilhões de dólares, o que representava  mais de cinco vezes o montante da dívida do governo. Veja a evolução das reservas.

divida2

 Dívida externa dos bancos, de outros setores privados e do governo

O gráfico que se segue agrega os três principais grupos de tomadores de empréstimos no exterior os bancos, outras empresas e o governo. Ressalte-se que, enquanto a dívida externa do governo foi reduzida, aumentaram as dívidas dos bancos e das empresas. No final do segundo trimestre de 201, último dado do gráfico, os bancos deviam 146 bilhões de dólares ao exterior, outras empresas deviam 116 bilhões e o governo 68 bilhões.

divida 3

Dívida como porcentagem do PIB

Quando queremos avaliar se a dívida é grande ou pequena temos que compará-la com o tamanho da economia do país. Como a melhor medida do tamanho da economia é o Produto Interno Bruto calculamos quanto a dívida representa do PIB. É isso que temos nesse próximo gráfico. No final do período temos uma dívida negativa, que indica que temos mais reservas (dólares e outras moedas) do que devemos ao exterior.

O ponto máximo da série dívida bruta foi 41,8 % em dezembro de 2002, o que significa que a dívida bruta equivalia a cerca de 42% do que produzimos naquele ano.

Para calcularmos a dívida líquida temos de levar em conta o montante que o país tem de reservas em moedas fortes. Nesse caso tivemos 32,7 % de valor máximo em dezembro de 2002, o que equivale a perto de 1/3 do que produzimos em 2002. O menor valor da série foi em dezembro de 2013 com 4,2% negativos, ou seja, tínhamos mais reservas do que dívida e o excesso era 4% do PIB.

 divida 4

 Empréstimos Intercompanhia

O investimento direto está divido em participação no capital e empréstimos intercompanhia.

Os empréstimos intercompanhias representam os créditos concedidos pelas matrizes, sediadas no exterior, a suas subsidiárias ou filiais estabelecidas no país. Esse recurso está investido na empresa no Brasil e embora tenha o caráter de dívida, devemos encará-lo mais como investimento da matriz na subsidiária do que como dívida externa. Não se trata de um recurso líquido que pode a qualquer momento deixar o país.

 divida 5

Dívida externa bruta incluindo empréstimos intercompanhias

Nesse próximo gráfico são apresentadas as dívidas dos diversos setores e adicionados os empréstimos que as matrizes no exterior fizeram a suas subsidiárias no Brasil. Não são levadas em conta as reservas do país, nem o fato de os empréstimos intercompanhias terem mais características de investimento. Se tomarmos o PIB de 12 meses até agosto de 2014, a dívida mostrada desse modo representa 23% do PIB.

divida 6

 

Posted in Frações Financeiras | Leave a comment

Melhores práticas para seleção de material para educação financeira

O texto, que traduzo abaixo, tem por objetivo indicar as melhores práticas para se elaborar e selecionar materiais didáticos a serem usados em atividades de educação financeiras. O texto foi elaborado para os padrões dos Estados Unidos e precisam, desse modo, sofrer uma readequação para serem seguidos no Brasil. De todo modo, acredito que contribua para inspirar a elaboração das melhores práticas brasileiras.

Material didáticoA Coalizão Jump$tart (1) recomenda as seguintes melhores práticas para o desenvolvimento e seleção de materiais educacionais em finanças pessoais (2).

Objetividade

O material didático deve ser objetivo em relação ao seu conteúdo e à sua linguagem.

O material deve incluir pontos de vista divergentes sempre que adequado.

O material não deve iludir, enganar ou induzir a erros.

O material deve ser informativo e não promover marcas ou provedores de serviços.

O material deve identificar seu criador e conter informações para contato.

O material deve identificar as organizações que financiam substancialmente seu desenvolvimento e disseminação.

O material deve indicar fontes para se obter informações adicionais.

Alinhamento com padrões

O material deve estar correlacionado com um ou mais padrões do documento Jump$tart’s National Standards in K-12 Personal Finance Education, disponível na internet em www.jumpstart.org.

O material deve acompanhar um ou mais padrões de disciplinas nacionais ou estaduais criadas pelas seguintes organizações:

Administração: National Business Education Association

 Economia: Council for Economic Education

Família e Ciências do Consumidor: American Association of Family and Consumer Sciences

Matemática: National Council of Teachers of Mathematics

Estudos Sociais: National Council for the Social Studies

Ensino e Aprendizado

Os materiais de ensino e aprendizado devem usar linguagem simples. Termos técnicos, abreviaturas e siglas devem ser claramente definidos.

O material deve requerer pouca preparação adicional por parte do professor.

O material deve incluir os objetivos de aprendizado do aluno e as ferramentas de avaliação, as informações básicas usadas, os planos de aulas e atividades que estimulem a participação dos alunos.

O material deve despertar o interesse do aluno contemporâneo e identificar formas para ele obter informações adicionais.

Os planos de aula e atividades devem usar vários estilos de aprendizado como visual, oral, tátil e interação em grupo.

As restrições de copyright e termos de uso devem ser claramente estabelecidas.

Público alvo

O material deve identificar o ambiente educacional alvo, como sala de aula tradicional, ensino em casa, atividades extraclasse, em ambiente rural ou urbano, ou outros.

O material deve identificar o usuário-alvo, seja professor, pais ou aluno.

O nível de leitura deve ser apropriado para o grupo alvo.

O material deve refletir diversidade em termos de idade, raça, gênero e renda familiar.

Os textos, ilustrações e atividades de aprendizado devem ser adequadas e devem levar em conta os aspectos culturais do público-alvo. Os textos devem ser traduzidos, se necessário.

Precisão e atualização

O material deve ser revisado regularmente para ser preciso, relevante e atual.

A data da publicação de ser divulgada de modo claro, da mesma forma que as revisões subsequentes.

Disponibilidade e acessibilidade

Os recursos devem ser prontamente disponíveis para professores e alunos

O material disponível pela internet deve poder ser acessado com tecnologia e programas geralmente encontrados em escolas e bibliotecas públicas.

O preço do material, se houver, deve ser claramente informado.

Deve-se identificar de modo claro se o material é disponível em formatos especiais como em outras línguas, em áudio ou  em Braile.

Materiais novos e atualizados devem ser submetidos a Jump$tart Personal Finance Clearinghouse em www.jumpstartclearinghouse.org.

Avaliação

O material deve ser testado antes de publicação, em condições que realisticamente repliquem o ambiente e o público-alvo.

Os comentários de alunos e professores devem ser levados em conta no desenvolvimento e revisão do material.

O material deve incluir ferramentas de avaliação como pré-testes, pós-testes e exemplos de trabalhos classificados como aceitáveis quando for apropriado.

As ferramentas de avaliação devem medir tanto o conhecimento do aluno quanto mudanças comportamentais resultantes do ensino e aprendizado.

(1) A Coalizão Jump$tart para Letramento Financeiro Pessoal é uma organização sem fins lucrativos, com sede em Washington. Como coalizão, é uma organização de organizações que dividem o compromisso de promover o letramento financeiro entre jovens desde a pré-escola até a universidade e de trabalhar colaborativamente para uma efetiva educação financeira. Hoje, a Jump$tart inclui perto de 150 parceiros dos setores empresarial, financeiro, acadêmico, governamental, além de organizações sem fins lucrativos e associações. A Coalizão engloba, ainda, 49 coalizões afiliadas estaduais e seus parceiros locais.

(2) A Coalizão Jump$tart autoriza o uso livre desses padrões para propósitos educacionais. Esta é a segunda edição de 2008 (atualizada em 2010).

 

Posted in Frações Financeiras | Leave a comment