Frações Financeiras 45 – O que são ETFs? O que é Bova11?

etfOs ETFs, Exchange Traded Funds, são fundos de investimentos que têm suas cotas negociadas na bolsa. Essa é a principal diferença em relação aos fundos tradicionais. Dessa forma, o investidor compra e vende suas cotas da mesma forma que compra e vende ações: no pregão, através de uma corretora. O nome adotado no Brasil para os ETFs é Fundos de Índices, por que eles tem como política de investimento ter em carteira a mesma composição de um índice.

O que é Bova11?

Vamos tomar como exemplo o Bova11. Este fundo busca obter a mesma rentabilidade do Índice Bovespa, que é uma carteira teórica composta pelas ações mais negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo. Para seguir o rendimento do índice Bovespa, o Bova11 procura aplicar em ações na mesma proporção do índice. Veja, por exemplo, que na composição atual do índice Bovespa tem 8% de ações da Vale do Rio Doce Vale5, o fundo buscará ter aproximadamente esse mesmo percentual de Vale5. A participação de Petrobrás preferencial – Petr4- está em 8,12%, desse modo o fundo buscará manter os mesmos 8,12% em Petr4 e assim por diante para as outras ações que compõem o índice. O resultado é que as cotas do Bova11 vão seguir muito de perto as valorizações e quedas do índice Bovespa.

Gestores

O Bova11 nasceu em 2008 e é gerido pela Blackrock, uma das maiores gestoras de ativos do mundo. Ela é a gestora de outros cinco ETFs, no Brasil, e deve lançar outros dois, de serviços públicos e de carbono eficiente. O Itaú é gestor de outros seis ETFs.

Aplicação mínima

Desse modo, a principal vantagem de comprarmos cotas do Bova11 é que com uma só negociação conseguimos ter uma carteira tão diversificada quanto a carteira do índice Bovespa. Além disso, o investidor pode comprar 10 cotas de Bova11 por pouco menos de 500 reais, mais taxas de corretagem, em geral 0,5% do valor, e emolumentos, o que permite diversificar mesmo com valores e custos bem baixos. Algumas corretoras cobram um valor fixo, da ordem de 20 reais na entrada e 20 reais na saída para operações via homebroker. A taxa de administração do fundo Bova11 é 0,54% ao ano, inferior às taxas da maioria dos fundos de ações.

Liquidez

Diariamente, têm sido negociadas cotas do Bova11 em valor médio em torno de 80 milhões de reais em fevereiro de 2014. Isso garante uma liquidez bastante razoável para vender as cotas, quando for necessário. Os outros fundos de índices existentes ainda têm liquidez bastante inferior à do Bova11, o que requer mais cuidado ao entrar pela dificuldade potencial de vender quando for necessário.

Vantagens

“Quando se avalia os indicadores de performance, conclui-se que o ETF, mesmo sem o benefício do aluguel, apresenta relações alinhadas com o benchmark, positivas em relação aos fundos passivos, que acabam via despesas e taxa de administração ficando com performance inferior aos ETFs”, afirma Costa Silva

Para saber mais, www.ishares.com.br e http://www.bmfbovespa.com.br/Etf/download/ETFs-Boletim-Mensal-0412.pdf. Recomendo o artigo: COSTA SILVA, Luiz Gustavo. Atratividade doa ETFs em tempos de grande volatilidade. . Trabalho de Conclusão Pós-Graduação FIA, 2012, gustavo.trader@yahoo.com.br.

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Frações Financeiras 44 – O que são ‘CoCo bonds’?

CoCos são títulos conversíveis contingentes trazidos mais fortemente ao mercado pela adoção de Basileia II. É um título convencional até o momento em vier a ser chamado para compor o capital do banco para absorver perdas que possam inviabilizar a continuidade dos negócios.

Contexto

Bancos são instituições com uma característica que os difere de outras empresas: sua insolvência pode representar risco para o sistema econômico como um todo. Por esse motivo vemos os governos e bancos centrais salvarem instituições com recursos dos contribuintes. O receio de que a falência de um banco propague quebras em cadeia por toda a economia influencia a decisão de usar dinheiro público para resgatar instituições sistemicamente importantes. A crise financeira que se iniciou em 2007 deu muitos exemplos desse fato pelo mundo.

Como Basileia III tenta resolver?

Basileia III busca melhorar a qualidade do capital de modo a garantir a capacidade do capital de absorver perdas. O capital regulatório é uma soma de capital nível 1 e capital nível 2. Capital nível 1 é aquele que absorve perdas enquanto o banco está funcionando normalmente, que é formado principalmente por ações. Capital nível 2 é aquele que passa a cobrir perdas quando a instituição não é mais viável e está a caminho da insolvência. Instrumentos híbridos e subordinados compõem, via de regra, o capital nível 2.

Basileia III determina que híbridos e subordinados podem compor o capital nível 1 contanto que tenham gatilhos automáticos que os convertam em ações ou que os façam ser cancelados.

O que são os CoCos?

CoCos são títulos conversíveis contingentes, ou seja, títulos de dívida do banco que poderão ser transformados e ações caso um gatilho seja acionado, revelando que a instituição está em vias de insolvência. Em outras palavras, os CoCos são títulos convencionais até o momento que ocorrer (se ocorrer) um evento que indique a necessidade de capitalização do banco para fazer frente a perdas que coloquem sua solvência em risco.

Nível 1 ou nível 2?

Os CoCos podem ser considerados capital nível 1 ou nível 2. Para ser considerado nível 1, o título deve ser perpétuo e se tornará capital acionário ou será cancelado, se e quando a instituição emissora enfrentar dificuldades para se capitalizar, mas ainda tenha chances de sobreviver.

Vantagens

O capital contingente, ou seja que pode ou não se tornar capital, tem a vantagem de aumentar o capital do banco exatamente no momento em que ele se encontra com dificuldades de emitir ações. Como são captados em momentos mais tranquilos para a instituição, esse capital evita a emissão atabalhoada quando as dificuldades tornam obstáculos à capitalização.

Para mais informações

Veja The Bucket Stops at CoCos, de Carla Eloy Jatahy, Fabiana Amaral Carvalho e Fernanda Martins Bandeira em http://www.bcb.gov.br/pgbcb/062012/revista_pgbc_v6_n1_jun_2012.pdf

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Você viu o Relatório Focus de 29/11/2013?

Esse relatório mostra a expectativa de economistas, principalmente aqueles ligados ao mercado financeiro, para as variáveis mais importantes da economia brasileira. Veja abaixo as previsões.

1. IPCA

A previsão do IPCA para fechamento de 2013 é 5,81% e para 2014 é 5,92%. Desde 2012, esperava-se que a inflação medida pelo IPCA em 2013 fosse próxima de 5,5%. Em março de 2013 as expectativas superaram os 5,80%, chegaram a 5,85% no início de novembro, antes de cederem para 5,81 no final deste mesmo mês. No início de 2013, esperava-se que o IPCA de 2014 fosse 5,5%, em março a previsão começou a subir para chegar próxima aos 6% e fechar novembro com a previsão atual de 5,92%.

2. Dólar

O mercado espera que o dólar feche 2013 em R$ 2,30 e 2014 em R$ 2,40. A média da taxa de câmbio de reais para dólares do ano de 2013 é prevista para R$ 2,17 e a média para 2014 é R$ 2.36. Até maio de 2013, as previsões indicavam taxa de câmbio fecharia 2013 próxima a 2 reais por dólar. Em junho as previsões começaram a subir, chegaram próximas a 2,40 e convergiram para a atual previsão de 2,30 reais por dólar.

3. Taxa Selic

A taxa Selic fechará o ano em 10% e a expectativa para fechamento em 2014 é de 10,50%. A taxa média para 2013 é 8,38% e para 2014 é prevista uma taxa média de 10,31%. Só há um modo de fechar a 10,50% e ter média 10,31%: permanecer em 10% por longo período e depois subir para 10,5% no segundo semestre de 2014. Não parece muito provável que aconteça dessa forma, em todo caso, as previsões mostram que estamos perto do topo.

4. PIB

Os economistas esperam que o produto brasileiro cresça 2,5% em 2013 e 2,11 em 2014. O mercado esperava, no início de 2013, que o crescimento do PIB fosse de 3,5% no ano. Até junho a previsão se manteve acima de 3%, quando iniciou a queda até chegar próxima a 2% e depois voltar para 2,5%.

5. Dívida líquida do setor público

O mercado tem a expectativa que a dívida líquida do governo termine o ano em 34,6% do PIB e encerre 2014 em 34,50%. Não houve grande mudança ao longo desse ano já que, no final de 2012, esperava-se que a dívida líquida se situasse em 34% do PIB. Quanto a 2014, esperava-se que relação dívida líquida PIB se situasse em 33%, no início do ano, e agora no final do ano espera-se que fique em 35%.

Para mais detalhes veja http://www.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/R20131129.pdf

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15 fatos sobre a previdência aberta no Brasil

futuro

1. A captação líquida até setembro de 2013 foi positiva em R$ 21 bilhões

2. A captação líquida em julho de 2013 foi negativa em R$ 380 milhões, único mês com saída de recursos maior que a entrada.

3. A carteira total de investimentos dos fundos de previdência aberta atingiu R$ 358,8 bilhões, em setembro de 2013.

4. Como a taxa de juros real, acima da inflação, caiu na economia brasileira, os investidores não conseguirão mais obter os 12% de rentabilidade acima da inflação, que obtinham no passado em fundos de renda rixa. Para melhorar a rentabilidade será necessário diversificar mais e correr mais risco.

5. 12,6 milhões de pessoas possuem fundos de previdência aberta no Brasil

6. O VGBL representa quase 70% do total de reservas e PGBL tem 22%.

7. O PGBL é vantajoso para quem declara no formulário completo. Os recursos aplicados podem ser abatidos da base de cálculo do imposto de renda, até o limite de 12% a base de cálculo. O participante do PGBL precisa ser contribuinte da Previdência Social.  O imposto de renda incidirá na saída sobre o valor total da retirada.

8. O VGBL é indicado para quem declara no formulário simples ou não é contribuinte da Previdência Social. O imposto de renda incidirá, na saída, sobre os rendimentos auferidos.

9. Ambos tem a vantagem de não recolherem impostos no meio do caminho até o início dos resgates.

10. Ambos tem taxas de administração e carregamento que, se forem altas, podem reduzir sensivelmente a rentabilidade no longo prazo, comprometendo o benefício fiscal.

11. O ano de 2013 foi ruim pra as carteiras de renda fixa, pois a subida das taxas de juros do mercado brasileiro provocou a queda nos preços desses títulos. Quando a taxa sobe o preço dos papéis cai pois quem compra exige taxa mais adequada ao mercado que tem taxas mais altas.

12. Para a renda variável, o ano de 2013 também não foi bom. A Bolsa ainda tem perdas no ano em torno de 12%.

13. O horizonte para os planos de previdência privada precisa ser de longo prazo, portanto mudar de carteira por conta de resultados fracos no curto prazo pode aumentar as perdas ao invés de reduzi-las. As mudanças precisam ser motivadas por uma estratégia de maior ou menor risco no longo prazo.

14. A subida da taxa Selic, e consequente subida do CDI, tem ajudado um pouco a rentabilidade no curto prazo, mas não deve durar muito tempo.

15. Em 2012 57,7 mil clientes usaram a portabilidade permitida para os fundos e mudaram de seguradora.

Dados extraídos do Caderno Especial Previdência Privada do Valor Econômico de 25/11/2013.

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